Agência Senado

O senador baiano Otto Alencar (PSD) criticou a postura do Governo Federal em relação à vacinação infantil, e avaliou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) demonstra não se sensibilizar com a perda de vidas ao relativizar o número de óbitos de crianças por covid-19.

Ao site “O Antagonista”, o político – que é médico de formação – opinou que a imunização infantil não pode ser postergada, uma vez que as crianças se contaminam com o vírus e podem transmitir a doença para avós e pais, por exemplo.

“A vacina passou por toda as fases de pesquisa. Não foi o Bolsonaro que decidiu [que a vacina tem eficácia], não foi o próprio ministro da saúde [Marcelo Queiroga]. A vacina está se aplicando no mundo inteiro e o presidente toma uma decisão de não vacinar simplesmente porque ele acha que a vacina vai trazer algum prejuízo às crianças”, afirmou.

O parlamentar acrescenta que, o “pior de tudo”, na sua avaliação, é a postura do ministro da Saúde, Marcelo Quiroga, que age com conivência com a postura presidencial e incorpora esse tipo de decisão ao próprio currículo. Em dezembro de 2021, Quiroga chegou a dizer que o índice de crianças mortas por Covid era baixo para “decisões emergenciais”.

Na ocasião, ele se referia a possibilidade de vacinação para faixa etária entre cinco e 11 anos, com imunizantes da farmacêutica Pfizer. À época, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já tinha permitido o procedimento.

“Perder 620 mil pessoas e achar que não está perdendo nada, é banalizar a vida. Eu rejeito isso. Não só como ser humano, mas como profissional da área de saúde. Para nós médicos, a perda da vida humana é algo muito doloroso. O presidente não se sensibiliza com isso. Ele não toma conhecimento, como também não tomou conhecimento das enchentes aqui na Bahia”, comparou Alencar.

Também de acordo com a publicação, o baiano foi um dos signatários de um requerimento de convocação para pedir explicações a Queiroga sobre a vacinação infantil, e apagão de dados da pasta, em comissão do Congresso Nacional.

Segundo o senador, a medida não busca criticá-lo, mas entender porque ele “rejeita a ciência e a orientação científica”. Para Alencar, dependendo das consequências da vacinação infantil, o Congresso poderia reagir aos desmandos no Ministério da Saúde com uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito.

“Não tem CPI, mas pode ter. Por que não pode ter? Depende do grau de comprometimento da ação presidencial contra a vida das pessoas”, concluiu. O senador foi um dos integrantes da comissão realizada no ano passado para apurar as ações e omissões do governo durante a crise sanitária deflagrada pelo novo coronavírus. BNews