Foto: Corpo de Bombeiros

Quando o tenente coronel José Emmanoel Sacramento chegou a Caxias do Sul, uma das cidades afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, o cenário era de guerra. Há uma semana, o bombeiro e outros militares baianos trabalham no resgate das vítimas e dos corpos dos que não sobreviveram aos alagamentos e deslizamentos de terra.

“Chegamos com um cenário de guerra. Muitos desalojados, desabrigados, vários animais perdidos e já com corpos para serem recuperados”, contou. Em todo o estado, 107 mortes já foram registradas e mais de 130 corpos seguem desaparecidos. Pelo menos 212 pessoas e 20 animais foram resgatadas pelas equipes dos baianos.

Os 22 bombeiros baianos foram divididos em duas cidades: Caxias do Sul e Bento Gonçalves, ambos municípios a cerca de 3h da capital, Porto Alegre. A função do grupo de Caxias era fazer os resgates de moradores em locais isolados e de sete corpos de vítimas.

“Eram duas famílias, uma de cinco pessoas e outra de dois senhores. Era um trabalho complexo, com o relevo bastante acidentado e ainda com risco”, explicou o tenente coronel Sacramento, como é conhecido na corporação.

Para o bombeiro, o resgate do casal de idosos foi o momento mais impactante do trabalho no Rio Grande do Sul até agora. Como a casa deles foi totalmente destruída, os militares contaram com a ajuda do filho para conseguir descobrir e acessar o local. Se os corpos não fossem retirados logo, poderiam ser ainda mais soterrados e, talvez, nunca recuperados.

“O filho do casal estava o tempo todo firme, nos ajudando. Quando contamos que havíamos recuperado os corpos, ele desabou. Foi algo que mexeu com todos nós, o alívio dele foi surpreendente. Infelizmente não os salvamos, mas poder devolver a oportunidade desse filho se despedir dos pais, velar os corpos e seguir a vida, é gratificante”, afirmou.

Veterano em situações de enchentes, o tenente coronel Sacramento já tinha visto de perto os estragos causados pelas chuvas no extremo sul da Bahia, em 2021, quando mais de 400 mil pessoas foram afetadas pelo temporal.

Na época, ele trabalhou na parte de logística da cidade de Teixeira de Freitas, mas afirmou que nada do que viu no próprio estado chegou perto do que tem encontrado no sul do país. “Quando soube que vinha, comecei a pesquisar a situação. Já pelas imagens dava para ver que o estrago era maior. A própria geografia do Rio Grande do Sul , que é diferente da Bahia, contribuiu para um maior desastre”, afirmou. G1