Foto: Betto Jr./Secom-PMS

Durante o anúncio feito em 21 de dezembro pelo chefe do Executivo estadual, Jerônimo Rodrigues (PT), de que o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) era o pré-candidato da base aliada à Prefeitura de Salvador, todos os líderes políticos que conversaram com a imprensa disseram o mesmo: a aliança em torno do emedebista foi sacramentada no conselho político por 11 partidos. Mas ao menos uma das siglas colocadas nessa conta mantém, nacionalmente, conversas avançadas com o prefeito Bruno Reis (União), postulante à reeleição.

Trata-se do Partido da Renovação Democrática (PRD), que surgiu da recente fusão entre o PTB e o Patriota, cujo número é 25, o mesmo que já foi do grupo político liderado por Bruno Reis e pelo ex-prefeito ACM Neto nos tempos de PFL e DEM. Quem participou da reunião do conselho político em dezembro foi Alexandre Marques, que era o presidente do Patriota na Bahia antes da fusão. Por sinal, ele também esteve, na última quarta (10), com Geraldo Júnior e chegou a declarar apoio do PRD ao emedebista.

Até aqui, Alexandre Marques disputa o comando da nova legenda na Bahia com o vereador Isnard Araújo, que é da base do prefeito e está de malas prontas para deixar o PL. Bruno Reis tem mantido conversas com lideranças nacionais do PRD, a exemplo do presidente Ovasco Resente, remanescente do Patriota, e Marcos Vinicius Neskau, que comandou o extinto PTB no país e já foi genro de um dos membros mais famosos da sigla, Roberto Jefferson, banido após a fusão.

Procurado pelo Política Livre, Alexandre Marques optou por não falar sobre as negociações envolvendo o comando do PRD na Bahia. Ele, que já teria assumido o controle da sigla em Lauro de Freitas, onde é secretário municipal de Meio Ambiente da prefeita Moema Gramacho (PT), disse que uma definição deve ocorrer na próxima semana, e confirmou o encontro com Geraldo Júnior.

Já Isnard Araújo afirmou ao site que pode assumir o comando do PRD baiano se for “designado para essa missão”. “Existem conversas ocorrendo neste sentido, inclusive envolvendo o prefeito, que busca naturalmente ampliar a sua base. Tenho notado sim que há uma disputa pelo partido do 25, que é um número de simbologia importante no Estado, de peso e que sempre fez parte do espectro político do grupo ao qual pertenço”, declarou o edil.

Nas eleições de 2022, o Patriota apoiou a candidatura do ex-ministro João Roma (PL) a governador no primeiro turno. No segundo, fechou com Jerônimo. Já o PTB caminhou ao lado de ACM Neto. Na Bahia, o novo partido nasceu apenas com um representante eleito: o deputado estadual Binho Galinha, que venceu o pleito do ano passado pelo Patriota e foi alvo, em dezembro, de uma operação da Polícia Federal por supostamente liderar uma milícia em Feira de Santana. Já na Câmara Municipal da capital, a sigla tem um único representante: o vereador Atila do Congo, que deve sair.

Em Brasília, o PRD tem quatro deputados federais, todos remanescentes do Patriota. A nova legenda herdou 1,3 milhão de filiados, por conta da ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que chegou a cogitar ingressar no Patriota antes de se filiar ao PL.

Em alguns estados, os comandos regionais do PRD já estão definidos após a fusão, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2023. Em São Paulo, por exemplo, a sigla será capitaneada pelo ex-senador petista Delcídio do Amaral.

Além do PRD, participaram da reunião do conselho político que definiu a candidatura de Geraldo Júnior os partidos PT, PCdoB, PV, PSB, PSD, MDB, Avante, Solidariedade, Podemos e Rede Sustentabilidade, sendo que este último forma uma federação com o Psol, sigla do pré-candidato a prefeito de Salvador Kleber Rosa. Política Livre