Basta o outono – e o inverno logo depois dele – bater na nossa porta com seus dias mais frios, que o número de doenças respiratórias em Salvador crescem. De acordo com o portal InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o número de pessoas com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) na capital baiana ainda não preocupa, mas há uma tendência de crescimento a longo prazo na Bahia.

Já prevendo esse crescimento, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) junto a Fundação José Silveira (FJS), abriu, na última semana, a Upinha Barris (anexa a UPA Barris), que oferece atendimento 24 horas a pacientes adultos com sintomas respiratórios. Não houve muito movimento, ontem, mas do dia 3 (quando foi inaugurada) até as 7h de ontem, foram realizados 321 atendimentos na Upinha. Desses, 133 pessoas fizeram teste de Covid-19 e 14 deram positivo (um pouco mais de 10%).

Também foram realizados 85 testes de influenza (10 positivos para influenza B e quatro para influenza A), e testes de arboviroses: 17 testes da dengue (11 positivos), 15 de zika (dois positivos) e 16 de chikungunya (três positivos). “Esse quadro de dengue já se mostra bastante expressivo. O nosso desejo é que esse espaço ocupado pela Upinha hoje, que tanto atendeu durante a pandemia, se torne um lugar de modulação estratégico”, explica o coordenador médico da Upinha, Abevailton Silva.

Com problema nos rins, o aposentado Rivaldo José da Silva, 67 anos, precisou interromper o tratamento de hemodiálise no meio, na última sexta-feira, por causa das fortes tosses. “Eu estava tossindo muito, cheguei a me tremer todo, então a agulha da hemodiálise não ficava no lugar e até machucou. Além disso, estou tendo febre. É a primeira vez que venho aqui e achei a ideia muito boa, somos atendidos mais rápido, a única coisa ruim é que precisei vir aqui bem na Páscoa”, conta.

O atendimento da Upinha Barris é exclusivo para casos de doenças respiratórias e só atende adultos. “As crianças ainda são atendidas na Upa mesmo, só os adultos ficam lá, e levando em consideração essa época do ano, a separação ajuda a evitar que mais gente fique doente”, aponta a autônoma Soraia Argolo.

O médico pneumologista e clínico geral Guilhardo Ribeiro explica que são inúmeros os fatores que levam ao aumento de doenças respiratórias durante o outono e o inverno. O primeiro deles é o tempo frio, porque uma de suas características é ressecar as vias aéreas, que junto ao fato de bebermos menos água durante esse período, o ressecamento da mucosa nos torna mais vulneráveis a um grande número de doenças alérgicas e infecciosas. Até a própria poluição, aponta o médico, que por si só contribui para o aumento de doenças, aumenta nessa época, já que a inversão térmica não permite que o ar poluído alcance grandes altitudes.

“Dependendo da localidade, o aumento de casos de doenças respiratórias é de 30% a 40% nesse período no Brasil. Crianças com menos de cinco anos e os idosos correm mais riscos. Enquanto o sistema imunológico das crianças ainda está em formação, o dos idosos, em sua maioria, sofre com comorbidades que podem ser agravadas”, explica o pneumologista.

Para tentar driblar a onda de gripe e outras doenças respiratórias, é preciso tomar alguns cuidados além da vacinação em dia. “Manter uma excelente hidratação, tomar cuidado com as roupas de frio, pois elas normalmente ficam guardadas e são tomadas por mofo, que contribuem para o surgimento de doenças alérgicas que, por sua vez, favorecem as doenças infecciosas”, explica o médico. A Tarde