Crédito: Felipe Oliveira/EC Bahia

O Bahia viveu uma noite memorável diante do Atlético-MG, na Arena Fonte Nova. O Esquadrão corria o sério risco de cair para a Série B, mas não deu sorte ao azar: dominou o rival do início ao fim e saiu de campo com a goleada por 4×1, nesta quarta-feira (6). O resultado positivo foi fundamental para assegurar a permanência tricolor na elite do futebol nacional.

A vaga na primeira divisão de 2024 foi assegurada com requintes de drama. Afinal, não bastava só ganhar, mas era necessário ainda secar o Vasco ou o Santos. O Peixe foi quem se deu mal: perdeu do Fortaleza por 2×1 e disputará a Segundona pela primeira vez em sua história.

Contatado no início de setembro com a missão de manter o Bahia na Série A, o técnico Rogério Ceni comemorou o objetivo alcançado. Em entrevista coletiva ao fim da partida, o comandante assumiu que estava ‘cabisbaixo’ diante dos recentes resultados ruins e se mostrou aliviado com a fuga tricolor do Z4. O time acabou o Brasileirão na 16ª colocação, com 44 pontos.

“Quando fui contratado, faltavam 16 jogos. Olhei a tabela, vi o elenco e fiz as contas para chegar aos 43 pontos. Nas minhas contas, esses jogos contra São Paulo e América-MG eram quatro pontos. Era o necessário para não ficar nesse sofrimento de hoje. Mas não conseguimos, e acabou ficando tudo para um dia que, creio, 70%, 80%, 90% das pessoas não acreditavam que era possível. Eu achei que seria difícil mesmo. Eu estava bem cabisbaixo, até os atletas comentaram comigo no CT. Também sou ser humano. É natural após uma derrota. É inaceitável perder aquele jogo, independente do número de chances criadas. Mas tivemos a calma para chegar hoje e conseguir fazer o resultado contra a melhor equipe do segundo turno do Campeonato Brasileiro. Não vamos esquecer de tudo o que erramos, através dos erros que você conserta o que precisa no futuro. Mas vamos valorizar o que foi feito hoje”, afirmou.

“Foram 27 mil pessoas em uma energia… Vou ser sincero, se eu fosse torcedor, pensaria em ter ficado em casa, pelo que entregamos nos últimos jogos. Mas em momento algum houve vaia. Sei que eles representam, mais de 1 milhão de torcedores que passaram pelo estádio nessa temporada. Parecia que tinham 45 mil pessoas, tamanho o carinho que abraçaram o time. E repito: tinham todo o direito de nos vaiar. Mas não o fizeram, e mantiveram o Bahia lá no topo, sempre com uma alta intensidade. No nosso dia mais difícil, estiveram junto com a gente”, completou o comandante.

Para confirmar a permanência na elite, o tricolor teve que superar as derrotas para o São Paulo, em casa, e para o lanterna e já rebaixado América-MG, de virada. Por causa dos resultados negativos, o time chegou à última rodada do Brasileirão precisando vencer e ainda torcer por tropeços dos concorrentes. Mas apresentou uma ótima atuação coletiva e saiu de campo com a permanência assegurada.

“Não acho que a gente tenha feito um jogo ruim contra o América-MG. Criamos 12 oportunidades claras de gol. A gente recebe sempre um relatório, que vem de Manchester, sobre a análise do jogo. Dos 38 jogos do campeonato, foi o que mais chances reais de gols que nós tivemos. O gol do São Paulo, aos 52 minutos do segundo tempo, abalou muito, nos trouxe pressão. A gente poderia ter livrado o clube do rebaixamento já no jogo contra o América-MG, se tivesse mantido o 0x0 contra o São Paulo. Mas a pressão veio de uma maneira muito grande, e todos estavam bastante abatidos. Hoje, acho que o time novamente fez um bom jogo. Teve frieza, calma. E competência do Fortaleza, que enfrentou o Santos e nos ajudou a terminar fora da zona de rebaixamento”, avaliou o treinador.

Ceni também mostrou conhecimento sobre o Bahia, e citou a famosa mística de decidir no final. Afinal, o time só confirmou a permanência na Série A de 2024 na última rodada, com ares de drama.

“O Bahia tem aquela mística do fim, do eterno gol de Raudinei, né?! Acho que isso fez parte da nossa essência. Foram 90 minutos que valeram por um ano. No dia que eu cheguei aqui, falei que o Bahia surpreenderia muita gente em poucos anos. Mas nós traríamos um regresso muito grande em voltar para a Série B, perderíamos dois anos do projeto. Conseguimos sobreviver a um ano zero, em que podem acontecer mais erros. Em momento algum, nós desistimos. É o que levo de principal. Não podemos desistir nunca antes que o juiz apite o final do jogo. É outra coisa que temos que nos preparar cada vez mais, para que não nos encontremos nessa situação nos próximos anos”, disse.

O técnico revelou ainda uma ligação do próprio CEO do Grupo City, Ferran Soriano, um dia antes da partida contra o Atlético-MG.

“Foi uma ajuda mútua dos jogadores. Na segunda-feira, eles falaram comigo: “Precisamos de você”. Na terça-feira, eu fiz o movimento trocado. Ontem [terça-feira], o Ferran me ligou, me perguntou como eu estava, falei que estava triste e chateado. Ele falou que a tristeza tem que durar 24h, e disse que, independente de onde a gente acabe, que ele queria que eu continuasse o projeto, na Série A ou B. Isso faz diferença. É muito importante ter o suporte e apoio das pessoas. O Bahia é um clube de massa, esse é o principal ponto para você escrever uma história. Que o Bahia continue crescendo mais, chegando na Sul-Americana, na Libertadores. Não sei até quando vamos ficar aqui, mas quero dizer que fiz parte da construção de um clube que já era gigante, bicampeão brasileiro. Não esqueço tudo de ruim e errado que aconteceu, é importante ser lembrado isso para diminuir o número de erros para o próximo ano”, falou.

Agora, Ceni vai se preparar para a próxima temporada à frente do Bahia. A primeira missão no ano que vem será no dia 17 de janeiro, às 21h30, contra o Jequié, pela primeira rodada do Campeonato Baiano. Correio da Bahia