O número de jovens de até 25 anos e idosos a partir dos 60 endividados na Bahia chegou a 4.173.874. Esse dado é referente a registros até maio, e faz parte de um levantamento da Serasa – que analisa informações para decisões de crédito.

Com relação aos números levantados em maio de 2021, o aumento foi de 6,5%. Ao todo, o Brasil tem 66,6 milhões de inadimplentes, o maior número desde o início da pesquisa da Serasa. Até então, o pico de endividamento no país havia sido em abril de 2020, com 65,9 milhões de devedores.

Endividamento no Brasil

Faixa etária 2021 2022 Percentual de aumento
Jovens até 25 anos 490.504 549.125 11,9%
Idosos a partir dos 60 anos 689.299 751.365 9%
TOTAL: 3.917.246 4.173.874 6,5%

De acordo com o economista Edval Landulpho, além das dificuldades geradas pela pandemia, a principal causa do aumento do número de inadimplentes é inflação, que no acumulado dos últimos 12 meses chegou a 12,13%.

“O que chama atenção é, justamente, a perda da renda. Principalmente no grupo dos mais jovens. Essas mudanças que ocorreram na Legislação Trabalhista impactou bastante a renda desse grupo. Já os idosos, justamente pela facilidade dos créditos consignados”.

Os empréstimos consignados ocupam, hoje, a maior parte da renda do aposentado Antônio Pereira de Jesus, que trabalhou por 30 anos como mecânico industrial. Ele, que tinha uma renda de R$ 4.200, hoje recebe apenas R$ 1.800 e já não consegue arcar com as despesas familiares.

Os problemas financeiros do idoso começaram quando ele teve o auxílio doença cortado, e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) determinou que ele devolvesse todo o dinheiro do benefício que era pago junto com a aposentadoria. Para conseguir quitar as despesas, Antônio precisou pegar 10 empréstimos consignados, e atualmente arca uma dívida que ultrapassa os 40 mil reais.

“Em 2018, devido a um benefício que eu recebia, o INSS achou que eu recebia indevido. Começou a descontar, do meu salário [aposentadoria], 35%. Aí eu tive que recorrer ao consignado, para poder me manter, comprar o remédio de minha esposa”.

O endividamento também ocorre por outra via: o descontrole financeiro. O jovem aprendiz Natan Souza, de 23 anos, mal começou no mercado de trabalho e já se enroscou com dívidas no cartão de crédito.

“Acumulando coisa no cartão, infelizmente. É isso que dá, não é? Jovem, não aguenta ver cartão, é a primeira vez que passa o limite, então vamos gastar. Aí quando chega, acumula tudo”, descreveu ele. O economista explica que a principal saída para se livrar das dívidas e reaver o poder de compra é organização financeira

“A dica é organização financeira, é orçamento financeiro. É relacionar os sonhos, vê a renda líquida e entender que aqueles gastos iniciais têm que ser bem menores do que o que a pessoa que o que a pessoa ganha”, pontuou Edval.

No caso de Antônio, reorganizar as despesas passa também pela Justiça. Ele entrou com uma ação pra poder recuperar o que vem sendo descontado da aposentadoria todo mês. O aposentado já venceu em duas instâncias, mas o INSS recorreu do processo.

Enquanto a decisão final não sai, o aposentado vai perdendo o sono e cada vez mais abrindo mão do que gosta. “Hoje eu tenho uma vida bem inferior – porque eu tinha uma vida muito boa. Aí a situação, cada dia que passa, é pior”, lamentou ele. G1