Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

Duas das mulheres mortas em uma chacina que deixou nove vítimas em Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador, foram baleadas na frente de casa, quando saíram para ver o que acontecia no local. Na casa ao lado, invadida pelos bandidos, foram mortos um homem identificado como Preá, outro homem, mais duas mulheres e três crianças.

Preá, que faria parte da facção Tropa, era o alvo do ataque, comandado por homens do grupo criminoso Bonde do Maluco (BDM). “Eles chegaram tem pouco tempo, mas esse Preá era envolvido de outra facção. Como todo mundo ficava no mesmo lugar, vieram pegar um, mataram nove”, conta uma moradora, que acordou com barulho de tiros por volta das 3h.

Na região, há uma atuação do BDM e a ação seria uma represália a tentativa da Tropa se estabelecer na zona rural de Mata de São João. Por conta do medo, muitos dos moradores preferiram não falar com a reportagem sobre a motivação do crime e a atuação dos dois grupos criminosos na região.

Segundo o perito Tiago Silva, da Polícia Civil, Preá já estava morto quando a casa foi queimada. “Os outros seis corpos não consigo precisar se foi antes ou após o incêndio. Se a causa da morte foi as chamas, o inalar, ou se foi alguma ação violenta anterior. Isso aí vai ser o laudo que vai esmiuçar os detalhes”, disse ele à TV Bahia.

Já as vizinhas foram baleadas e uma delas tinha outros ferimentos. “As duas vítimas do sexo feminino foram vítimas de arma de fogo e uma delas, além disso, houve emprego de instrumento de corte contundente. A causa provável do óbito, provavelmente foi disparo de arma de fogo”, explicou o perito.

O crime

Informações preliminares apontam que homens armados chegaram ao local e invadiram um primeiro imóvel, onde executaram duas mulheres. Eles teriam ido também a um segundo imóvel, onde executaram também a tiros outras duas mulheres e dois homens. Por fim, os suspeitos atearam fogo na segunda casa.

Nesse momento, acabaram vitimando as três crianças, sendo duas delas descritas como ‘especiais’ por moradores da região, que não sabem relatar se estas tinham algum tipo de deficiência e qual seria. Uma adolescente de 12 anos foi socorrida com queimaduras graves para o hospital, segundo informações da Polícia Civil.

A princípio, os corpos vão seguir para o DPT de Camaçari, mas agentes não descartam que a transferência possa migrar para Salvador para acelerar o processo de perícia nas vítimas.

A Colônia JK, desde 1959, era formada por imigrantes japoneses que, com o passar do tempo, deixaram o local. Hoje, o local tem maioria de residentes da região de Mata de São João. Correio da Bahia