O governador Jerônimo Rodrigues (PT) disse, na última sexta-feira (23), durante a entrega de ônibus escolares a prefeituras baianas, que faria uma reunião do conselho político para tratar de cargos federais e do interior assim que retornasse da China, a partir do dia 3 de abril. Como a viagem do chefe do Executivo estadual foi cancelada, os aliados do petista aguardam para os próximos dias o agendamento do encontro para tentar acalmar os ânimos.

Jerônimo viajaria à China para tratar da atração de investimentos para a Bahia, a exemplo do VLT de Salvador, da ponte Salvador-Itaparica e da montadora chinesa para as instalações da Ford em Camaçari. Ele cancelou a viagem após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lideraria a comitiva, contrair uma broncopneumonia. O périplo deve acontecer em maio. Apenas uma parte da comitiva, formada por empresários e ministros, embarcou ao país asiático neste domingo (26).

“Vamos fazer logo a reunião do conselho e todo mundo vai ficar feliz. Não tem problema algum. Ainda não tem data, mas vamos marcar. Iremos discutir não só isso (cargos), mas também a relação com a Assembleia Legislativa, a UPB (União dos Municípios da Bahia), o programa Bahia Sem Fome”, disse o secretário de Relações Institucionais, Luiz Caetano (PT), a este Política Livre.

O governo baiano terá que fazer um forte exercício de articulação política para que todo mundo fique feliz. Jerônimo já disse ao site que, no caso dos cargos federais, vai atuar para tentar solucionar impasses onde há disputa entre as siglas das base aliada no estado.

Esse é o caso das duas superintendências da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e da coordenadoria do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), que também são cobiçadas, vale frisar, por legendas da oposição ao governador, mas que negociam com Lula em torno de apoio no Congresso Nacional, a exemplo do União Brasil.

Na Codevasf, que tem duas superintendências na Bahia – a de Juazeiro e a de Bom Jesus da Lapa -, há disputa até entre as tendências internas do PT para tentar viabilizar indicações. O ex-presidente do partido no estado, Jonas Paulo, teria o apoio do senador Jaques Wagner para ocupar uma das duas unidades, de preferência a de Juazeiro. O grupo do deputado federal petista Waldenor Pereira também teria a intenção de emplacar uma das superintendências, embora o parlamentar, que foi procurado, negue.

O PCdoB e o Avante, aliados do PT na Bahia, também disputam a Codevasf na Bahia. Como já revelou o Política Livre, o Avante, comandado no estado pelo deputado federal Sargento Isidório, quer emplacar na superintendência de Bom Jesus da Lapa o ex-deputado federal Tito Cordeiro. Vale frisar, no entanto, que as duas unidades seguem sob a batuta de nomes indicados pelos deputados federais Elmar Nascimento e Arthur Maia, ambos do União Brasil.

“Não muda nada. As superintendências da Codevasf na Bahia irão continuar como estão. O governador não pode interferir nisso, está sendo tratado em Brasília. Se mudar, terá que mudar também a presidência (nacional)”, declarou um deputado do União Brasil. O atual presidente nacional da Codevasf é Marcelo Moreira, indicado por Elmar ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL) e que deve ser mantido por Lula no posto em nome da chamada governabilidade.

O PT, que já emplacou o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Bahia (clique aqui para ler), também almeja o controle político da Caixa Econômica Federal no estado. O PSD, por sua vez, deve indicar o chefe da regional baiana do Banco do Nordeste. Mas o partido do senador Otto Alencar briga com mais intensidade pela diretoria do Dnocs.

O PSB, que comanda o Ministério dos Portos, tem o interesse em ficar com a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), como já revelou a presidente do partido no estado, a deputada federal Lídice da Mata, ao Política Livre. “Lá vai ser fatiado. Não vai ficar tudo com o PSB”, afirmou ao site um deputado petista. A Codeba desperta o interesse em função dos altos salários nos cargos de chefia, que podem chegar a mais de R$110 mil. Política Livre