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Em conversa com este Política Livre, o presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, revelou um cenário já previsto, mas até então oculto na aliança entre a sigla e o governo estadual que, inevitavelmente, coloca em xeque a manutenção do ‘casamento’ de ambos para as eleições de 2020, dando mais ênfase à possibilidade de reconciliação com o time do prefeito ACM Neto (DEM), em especial com o namoro explícito dos Trabalhistas com o democrata Leo Prates, aliado da cozinha do presidente nacional do DEM.

Após discordar dos critérios estabelecidos para a divisão dos cargos regionais, o PDT, abriu mão dos espaços ofertados à legenda e alerta que não aceitará insubordinações dos correligionários neste sentido. Ao ser questionado pelo site sobre a relação com o governo Rui Costa (PT), Félix minimizou e a classificou como ‘normal’.

Porém, confessou que, por discordâncias dos critérios rigorosos colocados e por não ter participado dos debates, houve uma decisão partidária de não se aceitar nenhum espaço que lhes fosse reservado. “Discordamos sim, como diversos outros partidos, pois a sensação que tivemos é que durante a gestão fazem como querem, sem o devido debate e depois querem retomar o dialogar como se fosse algo natural”, disse em referência ao processo eleitoral.

A comprovação da sua tese, conforme ele, é que depois disso, o Conselho Político do governador não mais se reuniu. Provocado pela reportagem sobre se, de fato, nenhum parlamentar pedetista havia recebido ou indicado algum cargo, o dirigente frisou que, se ocorreu, foi com o desconhecimento, discordância do partido, podendo haver punição.

Conforme antecipado em primeira mão por este Política Livre, o clima de tensão não é novo, mas pelo visto o Executivo estadual não conseguiu contornar o incêndio. Em junho, em reunião entre a secretária estadual de Relações Institucionais, Cibele Carvalho, e líderes partidários que integram a base do governador, Félix, ao ouvir as novas exigências para que os partidos promovessem as indicações, saiu sem se sentar à mesa. Mas antes não hesitou em disparar que dessa forma não discutiria as eleições de 2020.

Contudo, Félix garante que o convite para Prates adentrar o ninho pedetista nada tem a ver com a atual relação estremecida com o governo. Ele também nega qualquer negociação com Neto, mas não descarta uma composição em 2020, desde que Prates se filie ao partido e encabece uma chapa.

“Tenho uma relação familiar, de admiração ao trabalho de Prates, que tem conversado com o PDT e não tem escondido. Teremos candidato e Prates é bem vindo – até dezembro devemos ter uma decisão mais concreta, mas esse ano não tive nenhuma conversa com Neto. Contudo, se ele quiser fazer uma composição com o partido e quiser indicar um vice existe a possibilidade”, disse, arrematando que o democrata possui uma relação firme com o prefeito e probabilidade de manutenção de aliança, de apoio a qualquer decisão que ele tome, é grande.

“São opções que estão se costurando. Não se tem inimigo em política, não se deve ter e o próprio Bruno Reis (DEM) – principal aposta de Neto -, já declarou que cederia espaço para Prates se ele for a melhor opção”, disse, pontuando, entretanto, que o PDT possui outros candidatos como alternativa, a exemplo dele próprio e de Vovô do Ilê. Política Livre