(Bruno Wendel/CORREIO)

No topo do ranking de violência no Brasil, a Bahia ocupou o noticiário do mês com dois casos emblemáticos que ilustram a crise de segurança pública que alavancou o estado ao posto de mais violento do país.

De acordo com o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2022, as quatro cidades mais violentas do país estão em território baiano. Em entrevista ao podcast O Assunto desta quarta-feira (30), Itana Alencar, repórter do g1 em Salvador, afirma que parte da questão envolve a predominância de facções de drogas e armas na Bahia.

Porta de entrada para o Nordeste, a Bahia faz fronteira com as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte, tornando-se um chamariz para o crime organizado. Também em participação no episódio, Eduardo Ribeiro, coordenador da Rede de Observatórios da Segurança Pública na Bahia, explica como o aumento da violência na região está relacionado a mudança no mercado de cocaína nos últimos anos.

“[O mercado do narcotráfico] enxerga o Brasil e particularmente o Nordeste como um ponto importante de distribuição para a Europa e para o continente africano. E também a migração de organizações ligadas ao comércio de drogas e de armas do Sudeste para o Nordeste, o que tem colaborado e ampliado a intensificação dos conflitos que já existiam… Só que agora com cada vez mais a chegada de lideranças e pessoas aliadas às tradições do Sudeste”, afirma Eduardo.

Pela primeira vez, a Polícia Militar da Bahia ultrapassou a do Rio de Janeiro como a mais letal do país. “As polícias participam em média de 35% dos eventos de tiroteio nesses municípios. Então o Estado tem produzido eventos que colocam as pessoas na linha de tiro”, diz Eduardo.

O coordenador também traça um perfil das mortes no estado, governado há mais de 16 anos pelo PT, com lideranças conhecidas pelas críticas à letalidade policial: homens, negros e jovens. “Do ponto de vista da segurança pública, a esquerda não apresentou nenhuma proposta alternativa às dos militares para a segurança pública. Essa crise de modelo também tem a ver com militarismo no centro da segurança pública nos estados”, destaca. G1