Foto: Divulgação/Fenatrad

A sindicalista e ativista Creuza Oliveira, de 65 anos, recebe o título de “doutora honoris causa”, concedido pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), nesta sexta-feira (24), na reitoria da unidade de ensino. A baiana é a primeira liderança sindical da categoria a receber o título no Brasil.

Uma das mais importantes líderes na luta pelas trabalhadoras domésticas, Creuza está aposentada, é presidente de honra da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e uma das fundadoras da Associação das Empregadas Domésticas da Bahia.

“Esse título é da luta histórica das trabalhadoras domésticas. Há muitos que já passaram, já vieram e outras que virão, que estão vindo”, ressaltou. Neste ano, Creuza já havia recebido o título de comendadora da Ordem Dois de Julho – Libertadores da Bahia, maior honraria do estado, entregue pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

✊🏾 Uma vida de lutas e ativismo

A trajetória de Creuza no trabalho doméstico teve início quando ela tinha menos de 10 anos. Embora tenha nascido na capital baiana, o registro de nascimento da ativista está vinculado a Santo Amaro, cidade localizada no recôncavo baiano.

“Eu nasci em Salvador e, posteriormente, mudei para o interior. Meu pai faleceu quando tinha 5 anos, seguido pela perda de minha mãe quando eu tinha 12 . Na época, não possuía documentos oficiais, sem qualquer registro em cartório. Ao retornar à capital aos 14 anos, tive necessidade de providenciar minha documentação para poder estudar”, contou ao g1.

Ao retornar para Salvador, Creuza continuou no trabalho doméstico e, aos poucos, engajou-se na luta pelos direitos da categoria. Enquanto estudava à noite, a sindicalista passou a ter contato com trabalhadores de diversos setores, incluindo profissionais da área da saúde, da construção civil e comerciantes.

Durante rodas de conversas, Creuza percebeu que as trabalhadoras domésticas frequentemente sentiam vergonha de admitir sua ocupação. Essa percepção levou a ativista a ponderar sobre as inúmeras adversidades enfrentadas por ela e colegas no contexto do trabalho doméstico.

“Todos os trabalhadores e trabalhadoras tinham sindicato, enquanto nós, domésticas, não tínhamos. Foi aí que me engajei nessa luta e desde então, nunca mais a abandonei”, relatou. A ativista questionava repetidamente os termos “empregada doméstica” e “casas de família”. Então na década de 80, passou a integrar um grupo de pessoas que se reuniam para discutir os direitos dos trabalhadores domésticos, duas vezes por mês.

Em 1986, foi uma das fundadoras da Associação das Empregadas Domésticas da Bahia. Na época, foi criada a associação porque a categoria ainda não era reconhecida. Portanto, não poderia ter um sindicato.

Só após a promulgação da Constituição Federal de 1988 foi garantido o direito da categoria como sindicado. Quatro anos depois, a ativista ajudou a fundar e foi a primeira presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia.

“Apenas aos 21 anos, obtive meu primeiro salário, embora não correspondesse ao salário mínimo da época. Nesse mesmo período, foi a primeira vez que minha carteira foi devidamente assinada. O valor do pagamento era estabelecido pelo meu patrão”, disse. Aos 31 anos que Creuza recebeu seu primeiro salário mínimo, conforme estabelecido pelo governo após ser reconhecido como um direito, a partir da Constituição de 1988. G1