Os integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) não compartilham de um consenso quanto a uma eventual investigação contra o procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol. O órgão fiscaliza a atividade de procuradores e promotores do país de acordo com informações apuradas pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, para a Folha de São Paulo.

Os membros do CNMP tiveram intensas discussões após a publicação da série de reportagens pelo site The Intercept Brasil explorando conversas de Dallagnol com outros membros do Ministério Público Federal (MPF) e com o ex-juiz, e atual ministro da Justiça, Sergio Moro. Quatro dos 14 integrantes do órgão encaminharam pedido para que a corregedoria investigue o procurador.

Dois destes foram indicados para compor o CNMP pelo Congresso, e outros dois pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA). Eles avaliam que Dallagnol montou uma estratégia para permanecer com o processo do tríplex do Guarujá, no qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a nove anos e seis meses de prisão.

Ao fazer esta movimentação, Dallagnol teria ferido o princípio do promotor natural, que o proibiria de escolher os casos que quer investigar. Por outro lado, os demais integrantes, que representam Ministérios Públicos estaduais e a União, se mostraram pouco favoráveis a uma averiguação. Os conselheiros indicados Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) estão entre os que preferiram se abster do debate.