Agência Câmara

O senador Angelo Coronel (PSD-BA), em entrevista exclusiva ao BNews, em sua residência, em Brasília, disse que a “esquerda e a direita estão meio fora de moda”, ao comentar sua posição independente no Senado Federal. “Tenho na minha ótica bons projetos que foram encaminhados. Vim para o Senado Federal eleito em uma chapa majoritária vitoriosa, composição de azul e vermelho”, pontuou.

Sobre a CPI da Pandemia, Coronel elogiou os trabalhos e disse esperar que o relatório do senador Renan Calheiros (MDB) tenha provas materiais. “Evitou que houvesse a efetivação de algumas corruções em núcleos do governo. Espero que saia o relatório com provas materiais. Não se pode hoje acusar ninguém sem provas materiais. Não podemos também antecipar a sentença de ninguém”, afirmou.

Para o senador, a CPMI das Fake News, no qual é presidente, ficou difícil de ser dada a sequência por causa da pandemia, mas espera que tenha continuidade. “A CPMI não é só das fakes das eleições. Tem no seio familiar, no trabalho”, completou.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) reforçou que é a favor ao retorno das coligações. “Nosso arco de alianças na Bahia, nos últimos quatro eleições, mostrou que as coligações foram frutíferas, úteis, contemplou parlamentares. As coligações são importantes”, avaliou.

Coronel também voltou a defender candidatura própria do PSD ao governo da Bahia, através de Otto Alencar, e disse que o PP também precisa ser contemplado. “O PP é um grande partido e precisa ser contemplado. Defendo que Leão assumisse o governo por seis meses e tivesse o poder de indicar novamente o vice. Para ter aliança não pode escantear um partido como o PP”, opinou.

Sobre a possível candidatura do ministro da Cidadania, João Roma, no estado, senador disse acreditar que auxiliar de Bolsonaro vai confirmar o pleito. “Presidente Bolsonaro precisa de palanque na Bahia. João Roma está escalado para representar o bolsonarismo na Bahia. Tem gabarito, fazendo bom trabalho. Não vejo nada contra”, ponderou.

Confira abaixo a entrevista com o senador concedida ao editor Victor Pinto:

Você foi bombardeado nas redes sociais, principalmente pela ala da esquerda da Bahia, por ter votado em projetos do governo Bolsonaro que interessava o governo e, por exemplo, Otto e Wagner foram contra e você foi a favor. O último, por exemplo, foi a minireforma trabalhista. Gera algum mal estar? Tem algum mal estar na relação com os senadores? 

Senado Angelo Coronel: Olha, quem me conhece na Bahia sabe que eu não sou de esquerda, eu sou uma pessoa de centro, inclusive quando eu fui candidato a senador, todos sabiam do meu posicionamento político, evidentemente que admiro a esquerda da Bahia, que tem excelentes quadros que já foram testados e aprovados, e a gente vê que esse negócio de esquerda e direita é uma coisa que tá meio fora de moda. Eu acho que você ser contra algo que algumas lideranças de um lado não comunga não significa que você está sendo contra ou a favor ou a esquerda ou direita. Isso é questão de posicionamento político eu me acho independente, vim para o Senado em numa chapa majoritária vitoriosa com uma composição de azuis e vermelhos, como já designado na Bahia que azuis é de centro, mais a direita, e mais a esquerda é de vermelho. No caso da minireforma eu tenho na minha ótica foi um dos bons projetos que foram encaminhados. Ela dava a garantia para que empresários contratassem mão de obra de jovens de dezoito anos e de pessoas acima de cinquenta anos que está fora do mercado de trabalho, que iam ser reinseridos no mercado de trabalho. O empresariado ia ganhar com isso que não ficaria subordinado CLT. Então quando eu vejo algo que é para gerar emprego e renda, nós temos que deixar a burocracia de lado mesmo que seja uma claqueia, mesmo que seja uma bandeira de alguns a preservação da CLT. Eu não sou contra, mas a flexibilização é importante nesse momento de pandemia, onde o Brasil precisa a voltar aos rumos.

A CPI da pandemia tá na reta final. Qual é o seu balanço da comissão? Realmente ela cumpriu o papel dela ou ela vai terminar em pizza? 

Coronel: Olha, em pizza não vai terminar, a CPI andou bem e evitou que houvesse efetivação de algumas corrupções em núcleos do governo, mas esperamos que até o final o seu relatório saía realmente com provas materiais, pois não se pode hoje acusar ninguém sem provas materiais, que aí você está sentenciando antecipadamente. Então nós não podemos antecipar a sentença de ninguém. Então o poder da CPMI é um poder investigativo, e ela vai encaminhar esse relatório propondo indiciamento ou não para o Ministério Público, e caberá ao Ministério Público abrir processos para que a justiça julgue.

Falando de CPI da Pandemia e agora falando da CPMI das Fake News. Você conseguiu a proeza de estancar o prazo durante esse período de pandemia. Teve anuência do Senado pra isso e há uma expectativa, já tem articulação, de um possível retorno da CPMI, inclusive com novas vertentes, não só mais analisando o que foi a eleição de 2018. De fato há um planejamento de Coronel para esse retorno da CPMI?

Coronel: Olha, com o advento da chegada da pandemia, ficou difícil de dar sequência a CPMI e logo veio a CPI da Pandemia, que eu acho que naquele momento era mais importante que tratava-se de vida, de cuidar de vida, de evitar que outras vidas fossem ceifadas, de compra de vacinas, então nós entramos com requerimento e conseguimos suspender a CPMI. Congelou o seu prazo, nós temos 207 dias para quando a sua reabertura é concluir os seus trabalhos. Nós não vamos ficar focados somente em eleição de 2018, porque para mim isso aí é uma página virada, mas servirá de parâmetro para as eleições vindouras. Nós temos CPMI das Fake News no seio familiar, nós temos no trabalho, temos fake news deteriorando marcas. Então nós temos que fazer essa CPMI de combate e instrumento para que a gente proteja a sociedade brasileira. Mudanças eleitorais temos uma PEC em tramitação no Senado, temos também um projeto de lei já encaminhado na Câmara Federal de mudança do Código Eleitoral.

Em relação às coligações. Em um vídeo gravado recentemente você disse que os senadores da Bahia estarão unidos, que as coligações iam voltar pra acalmar o coração. Você defende ainda que as coligações vão continuar para 2022? 

Coronel: Eu defendo, vou votar a favor do retorno das coligações, porque nós temos um marco de alianças na Bahia, onde nessas quatro últimas eleições as coligações foram frutíferas, foram úteis e  contemplaram mais parlamentares de diversos partidos. Então as coligações pra mim elas são importantes principalmente na Bahia e vai ter o meu voto favorável ao seu retorno.

Sobre Bahia e a conjuntura da chapa para 2022. Você foi um dos defensores mais do que o próprio Otto Alencar para que ele fosse o candidato. Fosse escolhido pra ser o candidato a governador. Mas a gente vê uma articulação em prol de Wagner e Lula. Lula, na Assembleia, por exemplo, dizendo que Otto vai ser um excelente senador em mais um mandato. Tem alguma engenharia nessa nesse tabuleiro ou você ainda acredita que Otto deve ser o candidato a governador? 

Coronel: Olha, toda a liderança tem os seus palpites e as suas torcidas. Eu, por exemplo, torço que o PSD tenha candidatura própria e no PSD hoje o nome é o de Otto Alencar. Não desprezando o lançamento da sua candidatura à reeleição por parte do ex-presidente Lula, mas eu defendo o nome de Otto para presidente ou o nome de Otto para governador, um nome do PP para vice e o nome de Rui Costa para senador. Essa é a chapa que eu vislumbro, que eu torço, não significa que a chapa que eu torço será a chapa, mas eu torço e repito, Otto governador, o PP assume o mandato interinamente, faz a transição, indica o vice e o Rui Costa vem para o Senado. Essa chapa é a chapa que eu querer trabalhar. Sem menosprezar o nome de Jaques Wagner, que é um grande um grande político, um grande gestor, mostrou que realmente fez um grande trabalho pela Bahia, tanto é que é sempre bem avaliado e fez o seu sucessor, mas eu sou a favor da renovação, da oxigenação e sou a favor que o nosso partido deixe de ser coadjuvante e passe a ser protagonista.

Por que Rui senador? Por que defender a renúncia de Rui pra que ele integre a chapa? 

Coronel: Porque o PP é um partido que precisa ser contemplado. Então se para o PP ficar na base eu acredito que se ele [Leão] assumisse nove meses do Governo indicasse novamente a vice. Você com isso contemplaria o Partido Progressista. Então nós temos que fazer política unindo, fazendo política sempre com alianças. Para ter alianças você não pode simplesmente escantear um partido como PP. Então é por isso que esse tripé de PP, PT e PSD junto com as outras agremiações têm que ficar realmente forte e pra ter pra ter força você tem que contemplar todas as tuas lideranças.

Você acha o ministro João Roma é candidato a governador da Bahia? 

Coronel: Eu acho que sim o presidente Bolsonaro precisa de um palanque na Bahia e João Roma é o que está escalado para representar ele na Bahia. Eu acho que é um quadro um bom quadro, tem gabarito e está fazendo um bom trabalho no Ministério da Cidadania, e não vejo nada contra e nada negativo contra a candidatura de João Roma. Torço que ele venha, que seja candidato e que saia com uma boa performance.

Eu tenho feito essa pergunta pra várias lideranças partidárias, você é uma delas eu vou refazê-la. ACM Neto defende a tese de que nacionalização da eleição não vai pegar no estado da Bahia esse ano, mas tradicionalmente, historicamente o presidente sempre puxou a chapa majoritária do Governo. Você acha que realmente em 2022 vai ser um vai ser diferente essa nacionalização da campanha? 

Coronel: Olha, eu tenho uma tese que as liderança da Bahia são mais fortes até que as lideranças nacionais. Eu acho que as lideranças nacionais vão ser empurradas pelas liderenças da Bahia. Nosso grupo é forte, e se ele apoiar qualquer candidato a presidente, esse candidato a presidente vai ser bem posiconado. Se ACM Neto apoiar um candidato a presidente, ele vai impulsionar um candidato a presidente. Discordo que candidato nacional vai puxar liderenças no estado.

Última pergunta. Acha que o fator Lula vai ser decisivo?

Coronel: Repito. Lula tá bem posicionado, deverá tá no segundo turno das eleições. Não é somente Lula colocar a mão no ombro e falar que esse candidato tá eleito. Não é assim que a banda toca. Tem que ser bem posicionado no coração do povo da Bahia, independente de Lula botar a mão ou não. Claro que ajuda, mas não é pegar candidato sem nenhhuma infiltração no estado e dizer que tá eleito. É uma união. Ajuda bilateral. (Bocão News)