Agência Brasil

Desfilado do PSDB, partido que ajudou a fundar há 33 anos, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não tem um destino selado. Publicamente, três legendas são citadas como ninho potencial para o ex-tucano. Todavia, há uma opção que circula apenas nos corredores e que não estaria descartada: a filiação ao União Brasil, legenda resultado da fusão entre DEM e PSL. Tal movimento, inclusive, não eliminaria uma possível aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Alckmin poderia ser alçado à condição de vice.

O namoro entre o ex-governador de São Paulo e o DEM não chega a ser uma novidade. O entrelace começou após João Doria “trair” a aliança com o partido ao filiar o vice-governador, Rodrigo Garcia, ao PSDB. Como truco, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, teria convidado Alckmin para ser candidato contra a possível tentativa de reeleição de Garcia – Doria à época já se considerava candidato à presidência da República pelo PSDB mesmo sem prévias, vencidas por ele apenas em novembro. Ao longo dos últimos meses as conversas entre Alckmin e o DEM esfriaram e o tema saiu da pauta política.

Agora, com a confirmação da saída do ex-governador do PSDB, o assunto voltou a percorrer rodas mais restritas de debates. O ex-tucano mantém negociações mais ativas com o PSB, flerta com o PSD, recebeu convites públicos do Solidariedade, porém preserva pontes ativas com o futuro União Brasil. O novo partido ainda carece de homologação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nasce com uma bancada robusta na Câmara, tempo de rádio e televisão expressivo e uma cifra vultuosa do fundo partidário/ eleitoral. É considerado, portanto, uma “noiva” cobiçada.

MAS E LULA?

Uma eventual filiação de Alckmin ao União Brasil encerraria as possibilidades dele ocupar a vaga de vice numa chapa liderada pelo ex-presidente Lula? A resposta é o que as lideranças partidárias tentam equacionar para tornar viável a negociação. Para o petista, a aliança com Alckmin ampliaria o alcance a espaços que ele não costuma dialogar com facilidade estando fora do Palácio do Planalto, como a elite econômica de São Paulo, e setores mais conservadores da política.

Segundo fontes com acesso a diálogos sobre o tema, mesmo que remota, a hipótese tem sido observada com entusiasmo pelos envolvidos. Lula, então, avançaria sobre uma parcela da centro-direita (a direita não radical) e Alckmin teria um cacife maior – leia-se tempo de rádio e televisão e recursos para campanha – para negociar outras frentes na construção de uma chapa ainda mais competitiva e com o tom de “conciliação nacional”, defendido publicamente pelo petista desde a saída da prisão e a declaração de nulidade das sentenças proferidas contra ele até aqui.

As arestas para que a chapa Lula-Alckmin tenha como avalista o União Brasil são figuras tradicionalmente antipetistas, como Ronaldo Caiado, Luciano Bivar e o próprio ex-prefeito de Salvador. Além, é claro, de áreas menos pragmáticas do petismo. Porém ACM Neto estaria compelido a não rechaçar o acordo em troca de um pacto de não agressão na corrida eleitoral para o governo da Bahia. “Lula quer ser presidente. ACM Neto quer ser governador. Se for possível para ambos essa conversa, não vejo um porquê para Neto não aceitar”, brincou um interlocutor com trânsito com Alckmin.

Caso não vingue a chapa com Lula, Alckmin ainda assim poderia ser candidato ao governo de São Paulo e retornar ao Palácio dos Bandeirantes com uma estrutura partidária de suporte, somado à possibilidade de negociar apoios com legendas como PSD e, em um virtual segundo turno, o PSB (que insiste na candidatura de Márcio França). Tal hipótese seria válida também com uma filiação dele ao PSD e uma dobradinha com o União Brasil, cenário possível diante do quadro paulista. Bahia Notícias