Foto: Elias Dantas/ Alô Alô Bahia

O ex-governador da Bahia e ex-secretário da Fazenda de Salvador, Paulo Souto (DEM), corrobora a perspectiva adotada pelo pré-candidato do grupo, ACM Neto, de que as eleições e nem apoios de presidenciáveis a candidatos ao governo resolverão a corrida pelo Palácio de Ondina em 2022. Souto atribui o apego do grupo petista à necessidade de se agarrar a alguma esperança – o PT deve confirmar a pré-candidatura de Jaques Wagner em janeiro de 2022.  “Na chapa não vai estar escrito ‘tal candidato com apoio de tal’, mas alguém tem que se apegar a alguma esperança e eles estão segurando essa esperança”, disse o democrata, nessa entrevista concedida na última quinta-feira (2), durante o lançamento da pré-candidatura de ACM Neto ao governo da Bahia.

Souto diz que o número de pessoas que foi ao Centro de Convenções de Salvador e lotaram o espaço representam o sentimento que ele diz perceber nas viagens que tem realizado pelo interior do estado. “Representa a vontade da população de participar desse processo e reflete o que eu tenho visto no interior: a população, por ela mesmo, tomando partido”, disse o ex-governador que, de forma discreta, participa da pré-campanha.  “Não estou à frente dos entendimentos e da coordenação política: meu papel é outro”, pontuou. Paulo Souto diz esperar vitória do grupo que ele integra pois é o que ele diz enxergar nas pessoas pelo estado: “É a população de todo o estado dizendo de uma maneira muito simples: Neto faça por nós no interior o que você fez por Salvador”.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Paulo Souto

O senhor foi o último governador do grupo que hoje dá sustentação ao ex-prefeito ACM Neto. Como o senhor vê esse lançamento da pré-candidatura de Neto ao governo após 15 anos de governos do PT?

Eu diria que é um sentimento de materialização de um sentimento que está aí espalhado por toda a Bahia. Um sentimento de que esse estado pode mais, esse estado precisa de mais e, para isso, é necessária uma mudança, uma transformação. E Neto representa muito bem a possibilidade dessa transformação.

É isso que o senhor vê ao acompanhá-lo pelo estado?

Sim. Eu tenho viajado pelo interior e posso sintetizar esse sentimento de uma forma muito simples. É a população de todo o estado dizendo de uma maneira muito simples: Neto faça por nós no interior o que você fez por Salvador. Isso sintetiza muito bem a esperança da Bahia em dias melhores. Eu não estou aqui para desmerecer os governos que aí estão, mas não se pode deixar de apontar que, em quatro ou cinco pontos principais, essas administrações deixaram a desejar. É o estado de pior educação em nível médio de todo o Brasil, é o estado mais violento do país, com maior índice de homicídios e de desemprego. Está perdendo a cada momento a participação na economia do país. O próprio governo publicou que, em 2019, que é o último número conhecido, a economia da Bahia caiu e representa hoje somente 3,97% da economia brasileira. Essa é um queda brutal e, além do mais, o estado é o sétimo colocado e nunca a distância entre o sétimo e o sexto foi tão grande quanto a do ano de 2019.

A Bahia, conforme apontou o ACM Neto, também perdeu protagonismo no Nordeste. A que o senhor atribui isso?

Os governadores do PT que, durante esse tempo todo, tiveram o presidente de República no mesmo partido, não conseguiram sensibilizar o governo [federal] para pontos que são importantíssimos para a Bahia. Com isso, a Bahia perdeu a sua capacidade de liderar com folga. Estamos perdendo posição não somente no Brasil, mas no Nordeste. Ceará e Pernambuco estão apresentando participação na economia [nacional] muito maiores que a da Bahia. Nunca estivemos em uma situação dessas, e o sentimento da população é de que isso precisa mudar.

O que muda agora para que vocês tenham uma perspectiva de vitória após quatro governos do PT?

Antes de tudo, e sempre é assim – mas agora está se manifestando muito cedo, antes da campanha – é o sentimento da população. É uma coisa espontânea: estou viajando pelo interior e estou sentindo isso, mas vindo da própria população. A classe política ainda não entrou na campanha. Tudo o que está acontecendo é resultado de um sentimento da população, que está absolutamente convicta de que é preciso uma inflexão, uma mudança muito grande na política e na administração do estado.

O senhor entende que as eleições nacionais não influenciarão no pleito daqui, como vem sustentando o ex-prefeito ACM Neto?

Tenho sentido até agora que a população está muito centrada no que ela quer para a Bahia, e isso não depende do panorama nacional. Esse é um assunto que ainda vai amadurecer por algum tempo, mas eu vejo uma decisão muito firme [da população] de separar isso, de dizer “nós estamos numa situação tal que, qualquer que seja o resultado nacional, na Bahia precisamos de um caminho novo, e esse caminho é ACM Neto.

E como o senhor vê essa pesquisa que foi colocada nesta quinta-feira que aponta empate técnico entre ACM Neto e Jaques Wagner quando o petista aparece com o apoio de Lula? Sem a menção aos apoios, Neto lidera com certa folga.

Eu não acredito no resultado de uma pesquisa que coloca esse negócio de “com apoio”. Eu lembro que, quando eu era governador e tinha um prefeito nosso em uma situação muito ruim, e tanto eu quanto Antônio Carlos [Magalhães] com um liderança muito forte no estado, geralmente o prefeito virava para a gente de dizia: “olha, manda fazer uma pesquisa aí e bote meu nome com o apoio de ACM e Paulo Souto que você vai ver que é diferente”. Fazíamos a pesquisa e dava diferente, mas chegava na eleição e não acontecia nada disso. Ou seja, na chapa não vai estar escrito “tal candidato com apoio de tal”, mas alguém tem que se apegar a alguma esperança e eles estão segurando essa esperança. Mas a influência disso nunca é definitiva para o resultado final ou para o que o eleitor vai decidir na frente.

E o senhor entende que esse Centro de Convenções lotado para o lançamento da pré-candidatura de ACM Neto é sinal desse sentimento real que o senhor aponta?

Representa a vontade da população de participar desse processo e reflete o que eu tenho visto no interior: a população, por ela mesmo, tomando partido.

O senhor tem se mantido bastante discreto nessa campanha do ACM Neto. Como o senhor vai trabalhar nela?

Vou continuar fazendo o que estou fazendo até agora. Não estou à frente dos entendimentos e da coordenação política: meu papel é outro. E eu vou continuar fazendo até o momento que for necessário. (Política Livre)