O escritor e guru do governo de Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, criticou nas redes sociais outro aliado do presidente. Em sua conta oficial no Twitter, citou o pastor Silas Malafaia, que teria criticado a ideia de que Olavo teria mais peso na vitória do militar do que os evangélicos.

“Prezado bispo Malafaia: ninguém pode negar que as igrejas evangélicas ajudaram um bocado na derrocada do petismo. Mas também não pode negar que elas entraram nessa luta com um atraso formidável. Pelo menos até 2009 ainda se davam muito bem com o partido governante. Nesse ano Lula em pessoa oficializou em lei a Marcha Para Jesus. Será que o senhor já esqueceu?“, escreveu.

A troca de farpas começou após Malafaia reagir à declaração do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de que os brasileiros que vivem ilegalmente no exterior preocupam a gestão de seu pai por serem “uma vergonha” para o país.

Olavo, que é professor de cursos de filosofia, afirmou que suas declarações são baseadas na “autoridade dos fatos, dos documentos, dos argumentos da racionalidade, etc, etc“.

“Aí chega pastor e diz: ‘Eu falo com a autoridade da Bíblia, porque eu estou salvo, sou um dos eleitos. E vocês seguem, meu Deus do céu! Onde têm a cabeça, porra? Como tem a cara de pau de ser meu aluno?”

Malafaia não ficou quieto e rebateu o guru do governo também pelo Twitter. Chamou-o de “astrólogo“, que é 1 ofício questionado pela fé evangélica e é uma das formações de Olavo.

Ele também reconhece que apoiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1989 e em 2002. Ressaltou que também foi exceção entre os colegas de pastorado.

“Tenho afinidades com Bolsonaro desde 2006 por ocasião do PL 122 [lei antihomofobia, que ambos combateram]. Olavo estava em um rancho nos EUA, eu e Bolsonaro tomando pancada do ativismo gay“, escreveu o pastor.

“Mas não foi pelo viés ideológico, mas pela crença que ele poderia resgatar o Brasil da miséria. Em 1989 eu não possuía nenhuma relevância na liderança evangélica, tinha 8 anos como pastor. Minhas posições não possuíam nenhuma influência na comunidade evangélica.”

Malafaia também apontou que, em 1994 e 1998, a maioria dos evangélicos embarcou na candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), inclusive ele.

Nas eleições do ano passado, os evangélicos se uniram em torno de Jair Bolsonaro na campanha. O presidente contou com o apoio de bispos, pastores, apóstolos e missionários.

Segundo pesquisa Datafolha, 71% dos evangélicos do país declararam voto em Jair Bolsonaro no 2º turno do pleito. Poder 360