Foto: Alan Santos/PR

Apesar da promessa feita pelo próprio presidente da República de fazer na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) um discurso em tom conciliador, Jair Bolsonaro acabou sendo Jair Bolsonaro: fez uma fala agressiva e de ataques a países, ONGs e lideranças indígenas, sem autocríticas à sua política ambiental e de reafirmação da soberania nacional para cuidar da região amazônica.

Bateu na tecla de sempre, criticando a ameaça socialista que, segundo ele, rondou o Brasil, disparando novamente contra Cuba e Venezuela. E lembrou que, em sua avaliação, a ideologia de esquerda estava invadindo as famílias brasileiras. Nestes campos, nada de novo, mais do mesmo. Um discurso que deveria ter ficado no final da campanha eleitoral mas que ele busca manter aceso depois de quase nove meses de governo.

O discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU teve endereços certos: seu público interno, aquele que foi responsável por sua eleição e se simpatiza com a linha da fala presidencial; e países, como França e Alemanha, que criticaram a política ambiental do governo Bolsonaro. Ou seja, ele deixou claro que não pretende recuar no seu estilo.

A dúvida, agora, é se a fala do presidente vai representar um endurecimento de sua política ambiental, criticada por afrouxar a fiscalização de desmatamento e queimadas, o que terá um efeito negativo sobre nossa economia, com investidores se retraindo e risco de retaliações comerciais.

Ou se foi mais uma busca de marcar posição para reafirmar sua autoridade. Neste caso, ele seguiria no caminho adotado depois das fortes críticas internacionais, inicialmente rebatidas por Bolsonaro, mas depois seguidas de ações para combater as queimadas com resultados positivos. Um certo pragmatismo, no qual aposta o grupo ligado ao agronegócio do seu governo.

Em sua equipe, no Brasil, a avaliação foi positiva. Um integrante da equipe econômica assim definiu a fala presidencial: “Palavras de um homem sincero de família. Foi um pronunciamento de um líder liberal-democrata e conservador em temas sociais. Liberdade, mercados, família, soberania e altivez”. Resume tudo daqueles que defendem o governo Bolsonaro. Por Valdo Cruz