Foto: Bahia Notícias

Três jovens foram mortos em uma ação da Polícia Militar, na região da Gamboa, em Salvador, na madrugada de terça-feira (1º). Os moradores da comunidade Solar do Unhão afirmam que os policiais chegaram no local atirando, levaram os jovens para um imóvel abandonado e os executaram. A PM dá outra versão e diz que recebeu uma ocorrência de sequestro, e que foi recebida a tiros pelos jovens, que acabaram sendo feridos em um suposto revide.

Quem morreu?

Patrick Sapucaia, de 16 anos, e Cleverson Guimarães, 22, e Alexandre dos Santos, 20, morreram após serem baleados durante a operação da Polícia Militar.

Quando aconteceu?

O caso aconteceu durante a madrugada de terça-feira (1º). Os três jovens foram baleados e foram levados para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiram aos ferimentos.

O que dizem os moradores?

Os moradores da comunidade Solar do Unhão afirmam que os policiais chegaram no local atirando e jogando gás lacrimogênio, levaram os jovens para um imóvel abandonado e os executaram. Uma amiga da família de Patrick questionou a ação policial.

“É um jovem que foi brutalmente assassinado, e quem vai pagar por esse crime? Cadê o direito humano? Até quando nossos corpos vão ser a carne mais barata do mercado? Até quando temos que permitir que o jovem não possa completar 18 anos? Que o jovem não possa ir e vir? Isso é injustiça, isso é genocídio. É o povo negro sendo assassinado”.

O que diz a PM?

A PM dá outra versão e diz que recebeu uma ocorrência de sequestro, e que foi recebida a tiros pelas vítimas, que acabaram sendo feridas em um suposto revide. A versão é contestada pelos moradores.

Quais entidades se pronunciaram após o caso?

A Ordem dos Advogados do Brasil seção Bahia (OAB-BA) emitiu uma nota informando que vai cobrar a investigação da Corregedoria da PM e da Secretaria de Segurança Pública, além do afastamento dos policiais envolvidos no caso.

A instituição também informo que pedirá medidas de proteção às testemunhas, e urgência na instalação de câmeras em viaturas e fardas da PM, prometidas pelo governo da Bahia em 2021. Outras entidades também manifestaram repúdio contra a ação dos policiais.

Protesto e repercussão do caso

Por causa da ação, moradores fizeram um protesto na Avenida Lafayete Coutinho, mais conhecida como Avenida Contorno, na terça-feira (1°).

O grupo fechou a pista nos dois sentidos, tanto na subida para o Campo Grande, quanto na descida para o Comércio, e pediu o fim da violência policial na comunidade. Durante o protesto, os moradores também reclamaram da truculência dos policiais e afirmaram que os militares ameaçaram um adolescente de 15 anos.

No local, os PMs não comentaram as acusações. Com a chegada do tenente-coronel Nilson, comandante da Polícia Militar Comunitária, para fazer as negociações de liberação da avenida, houve alguns tumultos. Equipes do Batalhão de Choque da PM estiveram no local. A todo o momento, os moradores gritavam palavras de ordem e pediam paz e justiça. G1