Agência Brasil

Entre 2008 e 2018, a Bahia teve um recuo de 35,9% na proporção de pessoas com algum grau de pobreza não monetária, feito que só foi possível com a queda de 70,5% para 34,6% do número de baianos vivendo com alguma vulnerabilidade. Ainda assim, a pobreza não monetária atingia 1 cada 3 pessoas na Bahia, em 2018. Os dados são das Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009 e 2017-2018, realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em vez de fazer a análise por linhas de pobreza estabelecidas segundo a renda média de pobreza, o IBGE utiliza o POF para investigar privações individuais de qualidade de vida por entender que a pobreza vai além da renda. Para isso, são considerados indicadores não monetários relativos à moradia, serviços de utilidade pública, saúde e alimentação, educação, acesso aos serviços financeiros e padrão de vida, transporte e lazer.

Além de mostrar as proporções de pessoas que têm algum grau de vulnerabilidade e de pobreza não monetária, foram criados dois indicadores: o Índice de Pobreza Multidimensional Não Monetário (IPM-NM) e o Índice de Vulnerabilidade Multidimensional Não Monetário (IVM-NM) para ajudar a investigar essas privações individuais de qualidade de vida.

Vulnerabilidade

Em 2008, 9 em cada 10 pessoas viviam com algum grau de vulnerabilidade (94,4% da população), proporção que recuou para 8 em cada 10 (79,9%) dez anos depois. No período, o Índice de Vulnerabilidade Multidimensional Não Monetário (IVM-NM) caiu pela metade no estado, passando de 22,9 para 11,3.

Essa queda no Índice de Vulnerabilidade colocou a Bahia em 9º lugar entre os 27 estados que apresentaram maior recuo. Santa Catarina teve a maior redução (de 7,7 para 2,6, ou -65,8%), seguida por Roraima (de 24,0 para 8,4, ou -64,9%) e Paraná (de 8,8 para 3,8, ou -57,2%).

Ainda assim, em 2018, a população baiana ocupava a 11ª posição no maior Índice de Vulnerabilidade do país (frente ao 7º maior em 2008). Em termos de proporção de pessoas com algum grau de vulnerabilidade (79,9%), a Bahia ficou na 13ª posição em 2018 (frente a 10ª maior em 2008).

Pobreza

A Bahia teve a 11ª queda mais intensa no Índice de Pobreza, dentre todos os estados brasileiros, e a terceira maior queda do Nordeste, só abaixo das verificadas em Sergipe (de 12,4 para 3,1, ou -75,3%) e no Ceará (de 10,0 para 3,0, -70,5%). Nacionalmente, Santa Catarina (de 2,0 para 0,3, ou -83,3%), Roraima (de 13,3 para 2,3, -82,4%) e Tocantins (de 12,3 para 2,7, -77,8%) lideraram o recuo.

Com isso, entre 2008 e 2018, a Bahia deixou de ter o 6º maior Índice de Pobreza do país, indo para o 11º lugar. Em termos de proporção de pessoas com algum grau de pobreza (34,6%), o estado também ficava na 11ª posição (frente à 8ª em 2008).

A redução da pobreza no estado também ocorreu num ritmo um pouco maior do que o verificado no país como um todo, onde a proporção de pessoas com algum grau de pobreza caiu de 44,2% para 22,3%, e o Índice de Pobreza recuou de 6,7 para 2,3, nos dez anos entre 2008 e 2018.

Por fim, a redução da pobreza não monetária foi mais intensa do que a da vulnerabilidade, na Bahia. Entre 2008 e 2018, enquanto a proporção de pessoas com algum grau de pobreza no estado caiu pela metade, passando de 70,5% para 34,6%, o Índice de Pobreza Multidimensional Não Monetário (IPM-NM) recuou quase 70,0% (-69,9%), de 13,1 para 3,9.

Privações no acesso a serviços financeiros, padrão de vida e educação

Das seis dimensões avaliadas, as privações no acesso a serviços financeiros e padrão de vida e na educação eram as que mais contribuíam para que a população baiana vivesse em vulnerabilidade ou com algum grau de pobreza não monetária, em 2018. Elas respondiam, respectivamente, por 20,0% e 18,8% do Índice de Vulnerabilidade (IVM-NM) e por 19,5% e 18,0% do índice de Pobreza (IPM-NM).

Por outro lado, as privações na dimensão de moradia eram as que menos contribuíam para a vulnerabilidade e a pobreza no estado – ainda que também tivessem sua importância, respondendo por 13,5% do Índice de Vulnerabilidade e por 13,2% do Índice de Pobreza.

Nos dez anos considerados, a principal mudança nas contribuições de cada dimensão para a vulnerabilidade e a pobreza, tanto na Bahia quanto no Brasil como um todo, foi a perda de liderança das privações em transporte e lazer.

Em 2008, transporte e lazer era a dimensão que mais contribuía para a vulnerabilidade e pobreza no estado (23,3% do IVM e 21,4% do IPM) e no país (23,8% e 21,3%). Em 2018,ela havia caído para a 3ª contribuição no Índice de Vulnerabilidade (16,8% no Brasil e 16,6% na Bahia) e para a 5ª contribuição no Índice de Pobreza (15,7% no Brasil e 15,3% na Bahia). Correio da Bahia