Foto: Arquivo pessoal

A comitiva baiana formada por médico, enfermeiras, sanitarista e bombeiros usou a expertise adquirida com as enchentes na Bahia, em 2021, para auxiliar no resgate e acolhimento às vítimas da tragédia no Rio Grande do Sul. Os profissionais de saúde e segurança foram enviados ao território gaúcho no dia 2 e começaram a retornar nesta semana.

Ainda que a proporção dos desastres seja diferente — situação na Bahia se concentrou inicialmente nas regiões sul e extremo sul, com 26 mortes —, o estado desenvolveu protocolos para otimizar a prevenção e a resposta diante dos cenários de calamidade.

“Fomos no intuito de apoiar a equipe de lá a fazer esse levantamento da análise situacional, da saúde da população, do que poderia chegar de doença, da organização do serviço de saúde, bem como preparar a retaguarda da assistência, medicamentos, insumos da saúde, recuperação de unidades, gerenciamento de abrigos”, elenca Edson Ribeiro, sanitarista e médico-veterinário que integrou a comitiva baiana.

Membro do Centro de Investigação de Emergência em Saúde Pública do Eixo Vigidesastres (Cievs), ele atuou especialmente em Caxias do Sul, na região que abrange também os municípios de Bento Gonçalves e Gramado, algumas das áreas mais afetadas pela tragédia.

Números atualizados nesta segunda-feira contabilizam pelos menos 147 mortos. São 127 desaparecidos, 806 feridos e mais de 615 mil cidadãos fora de suas casas. Diante disso, seu trabalho foi organizar o sistema para acolher as vítimas e também indicar como as equipes locais podem dar seguimento à operação. “A gente trabalha na preparação do território. Lá eles não tinham essa estrutura preparada porque nunca tinha acontecido um desastre dessa magnitude”.

O preparo citado inclui, entre outras coisas:

  • direcionar amparo psicossocial às vítimas;
  • fornecer atendimento de urgência aos necessitados;
  • prover abrigos para humanos e animais;
  • antever a proliferação de doenças como a leptospirose e, a partir disso, montar estratégias de combate.
“O pós-desastre também está incluído no nosso plano, porque a gente tem o assistente social, que é quem vai fazer avaliação de danos, tem a parte da Secretaria de Infraestrutura, que vai avaliar a possibilidade de reconstrução das casas, e nós, da Saúde, vamos estar focados na questão das doenças que vão emergir a partir do desastre”.

Ribeiro conta que contribuiu para a criação de planos de ação e mapeamento de risco nas áreas, assim como feito na Bahia há mais de dois anos. Isso possibilita a definição do que ele chama de “matriz de responsabilidade”, ferramenta que ajuda a prever o que cada órgão, de cada ente federativo, deve fazer, e de um Comitê Operacional de Emergência (COE).

Na território baiano, onde esse sistema já é organizado, o Vigidesastres possui hoje nove núcleos regionais. O centro promove oficinas para capacitar municípios e regiões, a fim de antever tragédias e agir de forma efetiva para mitigar danos. G1