© Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Agricultores de Santo Estevão, a cerca de 150 km de Salvador, sofrem os impactos da estiagem prolongada que atinge, principalmente, a zona rural. Eles afirmam que esta é a pior seca observada nos últimos 40 anos e pedem que seja decretada situação de emergência no município.

Segundo os produtores rurais, a estiagem trouxe prejuízos para cerca de 10 mil agricultores da localidade. A produção de milho, por exemplo, que é destaque por passar de 210 toneladas anuais, em média, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi totalmente perdida em 2023.

“A gente perdeu todo o plantio de milho e feijão, e as pastagens que se refizeram também não foram à frente porque as sementes não se desenvolveram. Estávamos vivendo de cactos, mas hoje a gente vê que já não tem mais”. A situação a cada momento se agrava”, disse Arlinda Oliveira, representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Além das perdas no plantio, animais também estão morrendo, por falta de água e comida. “A gente estava dando palma para os bichos, mas até a palma, que é resistente, secou. A devastação está grande”, disse o agricultor Valdomiro Epifânio.

Para lidar com os efeitos da estiagem prolongada, os agricultores pedem que o Governo do Estado solicite ao governo estadual que seja decretada situação de emergência no município. Eles fizeram uma assembleia, nesta terça (19), e cobraram providências ao poder público.

A prefeitura de Santo Estevão afirmou que a medida foi solicitada e a previsão é de que passe a valer a partir do dia 2 de janeiro de 2024, com duração de três meses, que podem ser prorrogados, a depender da necessidade.

Situação de emergência

Até a última sexta-feira (15), ao menos 164 municípios baianos estavam com decretos de situação de emergência em vigor. As prefeituras desses locais serão isentadas de pagar taxas para a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) fornecer carros-pipa para abastecimento. De acordo com a gestão estadual, serão R$ 834,5 milhões investidos em ações emergenciais e continuadas, dos quais R$ 491,5 milhões são provenientes do governo do estado e os outros R$ 343 milhões, do governo federal.

Cada município terá direito a pelo menos um carro-pipa ao longo de três meses. Outras 200 unidades de “pipinhas”, como são chamados os modelos de menor porte, já foram entregues. Além disso, o governo prevê o pagamento de Seguro Safra para 289 mil agricultores familiares, e ampliação de cestas básicas através do programa Bahia Sem Fome. G1