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A poeira parecia assentada, mas matérias do Portal UOL trouxeram ao centro da polêmica o ex-secretário da Casa Civil Bruno Dauster. Ele foi o responsável pela compra dos respiradores – que não chegaram à Bahia – durante a pandemia, no início do segundo trimestre de 2020. Por 14 minutos e nove segundos, conversei com o ex-segundo homem forte do governo baiano. Ele prestou depoimentos às polícias civil e federal.

Ao ser questionando o porquê de ter optado por pagar antecipadamente pelos equipamentos, Dauster disse que escolheu o ‘caminho mais ortodoxo’. “Entre perder dinheiro e perder a vida de uma pessoa, optei por salvar a vida. Optei por não ver maus gente morrendo”, justificou, sugerindo que outra modalidade de compra poderia demorar.

Dauster pediu demissão no início de junho de 2020, dias após a polícia deflagrar a Operação Ragnarok, que prendeu três pessoas acusadas de fraude na venda de equipamentos hospitalares para o Consórcio Nordeste. Dos 300 respiradores comprados, 60 viriam para a Bahia. Dos R$ 48 milhões pagos pelos respiradores que nunca chegaram, R$ 10 milhões saíram dos cofres baianos. Sem querer falar sobre a delação de Cristiana Taddeo, diretora da Hampcare, empresa Dauster negou ter envolvimento com malfeitos envolvendo a transação. “Vi só uma matéria [do UOL], mas não quero falar sobre”.

Dauster sugeriu à polícia ‘seguir o dinheiro’

Ao ser questionado sobre a a delação que sugere que delegados da polícia civil tenham ignorado a citação de Taddeo ao nome de Rui Costa, Dauster disse desconhecer a acusação. Atualmente prestando consultoria a empresas fora da Bahia, o ex-Casa Civil da outra versão para o seu desligamento do governo Rui Costa.

“Não queria responder a certas perguntas [sobre os respiradores]. Para não ser grosso, resolvi pedir demissão. Rui Costa disse que confiava em mim, mas eu não quis mais continuar”, disse Dauster. As perguntas indiscretas, sobre possível envolvimento dele no esquema, partiam de “deputados da oposição”.

Sob orientação de advogados, Bruno evitou falar sobre o depoimento que concedeu as polícias. Disse, no entanto, sobre os R$ 48 milhões que sumiram, que falou a polícia “para seguir o dinheiro”, sugerindo que há rastro e que este pode levar até alguém.

Marcinho tenta derrubar Alan da liderança de oposição

O deputado Marcinho Oliveira, que foi defenestrado da liderança do União Brasil, na Assembleia Legislativa da Bahia, tentou articular a destituição de Alan Sanches como líder da oposição. O ardil, entretanto, ficou apenas na tentativa. Uma reunião na quarta (3) selou a paz. Ao menos, por ora. A coluna apurou que há uma rebelião dos elmazetes, uma bancada com seis ou sete parlamentares ligados ao líder do União Brasil na Câmara dos Deputados, Elmar Nascimento. Há algumas teorias para a tentativa de derrubar Alan do posto.

Uma é fortalecer Elmar Nascimento com vistas às eleições para presidência da Câmara, que ocorrerá no próximo ano. A ideia é demonstrar alinhamento de parte da oposição ao governo baiano. Prova é o apoio de Marcinho e Júnior Nascimento ao projeto que autorizou o governo a contrair empréstimo de R$ 400 milhões. Não contente em votar a favor, Marcinho ainda discursou.

Estratégia mirim

Com isso, os elmazetes acreditam que conseguirão ‘seduzir’ o PT para que o partido apoie Elmar. Bastaria um pedido do governador Jerônimo Rodrigues. Outra teoria é a que pode prejudicar os planos de Adolfo Menezes na recondução a presidência da ALBA. Com a aproximação do governo pode fazer os elmazetes apoiarem uma possível candidatar de Rosemberg Pinto a presidente da Casa. Qualquer que seja o objetivo da ‘Bancada de Elmar’, muitos acreditam que a estratégia da BEN é bem mirim. BNews