Foto: Gustavo Bezerra/bahiaeconomica

No PT, contam-se as horas para o momento solene em que, reconhecendo que perdeu as condições de manter-se no páreo, o deputado estadual Robinson Almeida fará um discurso na Assembleia Legislativa admitindo que, apesar dos apelos em contrário que ninguém viu, decidiu retirar-se da disputa à sucessão municipal. O que não se sabe ainda é se, ato contínuo, ele vai defender a unidade do grupo governista e declarar apoio a Geraldo Jr., candidato do MDB, pavimentando o entendimento para se tornar vice em sua chapa ou, ao contrário, simplesmente vai sair de cena agastado pelo fato de não ter conseguido se viabilizar como representante do grupo.

Na verdade, se Robinson algum dia acreditou que seria candidato a prefeito de Salvador para valer, cometeu um severo auto-engano. Nos mais altos escalões petistas sua candidatura à Prefeitura da capital baiana nunca foi levada a sério, embora tenha sido fortemente incentivada por determinadas correntes conhecidas do PT. A elas, sob a orientação do grupo do senador Jaques Wagner (PT), interessava, no entanto, apenas afastar o risco de que o presidente da Conder e ex-vereador José Trindade (PSB), pudesse se filiar ao partido, tornando-se candidato oficial da legenda à sucessão do prefeito Bruno Reis (União Brasil).

Trindade, como se sabe, era uma aposta para a disputa em Salvador do ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa, cujas divergências políticas em relação a Wagner só têm crescido desde que sua mulher, Aline Peixoto, foi escolhida e nomeada como conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Com a ameaça da filiação de Trindade superada, a candidatura de Robinson deixou de fazer sentido exatamente porque a ideia de o partido concorrer à sucessão municipal nunca fez parte dos planos de Wagner. Por este motivo, tem ganho força a cada novo dia a ideia de que, por falta de opção e alternativa, Geraldo Jr. acabará assumindo a candidatura.

Ontem, depois de protagonizar um requebra com o mais odiado secretário da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), Bruno Monteiro, da Cultura, durante o lançamento do edital da Lei Paulo Gustavo, num colégio da rede estadual, o próprio Geraldo Jr. resolveu declarar que até o dia 15 de outubro o governador deve anunciar o nome do candidato. Não seria à toa que o emedebista tem o domínio do calendário de anúncio. Ele já teria sido avisado pelo próprio governador de que, hoje, todas as apostas caminham em sua direção. Antes de Geraldo Jr., num evento em seu partido, o ex-ministro Geddel Vieira Lima fez uma declaração assertiva.

Em discurso para uma sala lotada de prefeitos e correligionários que foram assinar ficha de filiação à legenda, o emedebista afirmou textualmente que “o MDB vai ter o candidato em Salvador”, numa indicação de que confia na expectativa de que a disputa à sucessão passe mais uma vez por suas mãos. Como Geddel usou as redes sociais para manifestar-se no princípio do mês sobre o tema, não é segredo para ninguém que o MDB já definiu o perfil ideal do candidato a vice para Geraldo: seria uma mulher, negra e, claro, do PT, uma garantia a mais de que o candidato emedebista não será largado de mão em plena campanha pelo partido de Jerônimo, Wagner e Rui. Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.