Foto: Olga Leiria | Ag. A TARDE

Filho de Mãe Bernadete, Jurandir Wellington concedeu entrevista, na manhã desta quinta-feira, 24, ao programa Isso É Bahia, da rádio A TARDE FM. Na ocasião, ele cobrou das autoridades a investigação para solucionar, mas pontuou que toda a situação teve início em 2017, quando seu irmão, Binho do Quilombo, foi também executado.

Bernadete Pacífico foi morta na noite de quinta-feira, 17 de agosto, quando homens armados invadiram o Quilombo Pitanga dos Palmares e abriram fogo contra a Ialorixá. Ao todo, foram 12 tiros no rosto e cerca de 10 na região do peito e tórax.

“Esse crime de minha mãe chocou o Brasil também. As autoridades agora têm a obrigação de dar uma resposta, mas vale relatar que tudo começou em 2017, com o assassinato de meu irmão Flávio, conhecido como Binho do Quilombo. A Bahia precisa saber que esse crime foi de mando. Binho estava lutando contra a implantação de um grande empreendimento que seria instalado em uma área de proteção ambiental. Em 2017, houve uma audiência pública e a obra foi barrada momentaneamente. E 16 dias depois, Binho foi executado na frente do Centro Comunitário Nova Esperança. A polícia, na época, teve todo o acervo investigativo para elucidar. O crime foi para a Polícia Federal, que relaxou nas investigações. O assassino de Binho passou na praça do pedágio, eles têm vídeo com ele colocando a mão no rosto. Conseguimos localizar o carro usado no crime, o dono e as multas. O carro tinha três meses rodando para matar meu irmão. Agora, como não deu nada no caso de Binho, eles acharam que poderiam chegar e matar minha mãe”, afirmou Jurnadir.

O filho de Mãe Bernadete ainda agradeceu o trabalho que tem sido feito pelo Governo do Estado da Bahia após o crime da líder religiosa. Ele pontuou que tem sido bem assistido, mas lamenta que a iniciativa não tenha ocorrido antes da execução de sua mãe.

“Eu não estou tendo acesso a ninguém. Quero agradecer ao governador Jerônimo Rodrigues, que disponibilizou uma segurança para mim e minha família durante 24h. Não tenho o que reclamar neste sentido, ninguém está tendo acesso a mim. Estou seguro com minha família. Quem recebeu ameaças foram minha mãe, mas ainda não chegou até mim. Ela chegou a falar com a ministra Rosa Weber e eu estava presente no dia. Infelizmente, houve uma falha do estado, que não conseguiu protegê-la. Espero agora que consigam elucidar os dois casos”, completou.

Legado segue vivo

Por fim, em primeira mão ao Grupo A TARDE, Jurandir contou que um instituto em homenagem Bernadete Pacífico será criado para manter vivo o legado da ialorixá. A iniciativa visa prestar assistência a diversos quilombos espalhados na Bahia.

“Em relação ao legado que minha mãe vinha fazendo, vai continuar e eu não preciso estar lá para que o serviço seja feito. Criaremos um instituto Mãe Bernadete e as ações vão continuar, pessoas estarão lá, mas, por motivos de segurança, vou preservar o nome dessas pessoas. O trabalho vai continuar. Pensaram que matando meu irmão e minha mãe, o quilombo iria ficar desguarnecido, mas o trabalho e o legado continuam. O instituto vem para dar amparo, não somente ao Quilombo Pitanga dos Palmares, mas todos na Bahia”. A Tarde