Uma rocha grande que entrou na atmosfera, causou um clarão e seus fragmentos caíram na região da Trilha do Gavião, no Vale do Capão, na noite de domingo (17). Essa é a teoria que explica os relatos de moradores da Chapada Diamantina.

A pesquisadora do Núcleo de Estudos em Meteoritos da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Leidiane Ferreira acredita que trata-se de um meteoro de alta magnitude, visto que o fenômeno provocou um efeito luminoso que pôde ser visto em várias cidades.

A expectativa é que também haja fragmentos de meteoritos na região. “Houve estrondo, explosão, então isso confirma um possível fragmento da amostra que entrou na atmosfera. A gente sabe muito pouco. Estou coletando as informações agora”, afirma. Para confirmar que houve a queda de fragmentos é preciso achar alguma amostra.

Desde 2017, essa é a primeira vez que Leidiane vê um possível meteorito cair na Chapada Diamantina. Ela explica que não existe uma lógica que explique a queda de meteoritos em determinadas regiões, ou seja, não há como explicar porque caiu no Vale do Capão. Quanto à extensão que os fragmentos atingiram, a pesquisadora diz que imagens de câmeras podem ajudar a calcular a quilometragem.

Como identificar um meteorito?

A especialista pede que a população entre em contato com o Núcleo de Estudos em Meteoritos da Ufba para tirar as dúvidas do que foi encontrado. A orientação é que os moradores mandem fotos para as redes sociais da equipe.

Ela descreve que, quando um meteorito está recém caído, ele tem superfície escura devida à passagem pela atmosfera, já a parte interna é acinzentada. Além disso, cerca de 90% ou mais dos fragmentos têm atração magnética, então é possível fazer um teste com imã. Se o objeto for atraído é um indício de que a amostra é uma “rocha extraterrestre”.

Também há uma diferença entre meteoro e meteorito. Meteoro é o fenômeno luminoso ocasionado quando a rocha espacial passa pela atmosfera, entra em contato com gases presentes e provoca o fenômeno luminosos popularmente chamado de estrela cadente. Se essa rocha consegue resistir à passagem da atmosfera e chegar até o solo, é um meteorito.

“Essas rochas trazem informações dos primórdios do Sistema Solar, o que aconteceu na formação da nossa galáxia e a dinâmica do nosso planeta”. Leidiane Ferreira – Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Meteoritos da Universidade Federal da Bahia (Ufba)

Relatos de clarão no céu

“Passou um meteoro gigante, uma luz bem bonita e forte. Caiu em direção à trilha do Gavião, no norte do parque, aqui na Chapada. Quando se chocou, fez um barulho muito grande e chega o chão tremeu. Foi muito forte o impacto. Muita gente aqui no Capão viu que o pessoal está discutindo isso até nos grupos de WhatsApp. Foi uma coisa bem bonita, nunca vi algo tão bonito assim”, relatou André Muinhos, conhecido como Monstro, morador do Vale do Capão, povoado Caeté-Açu em Palmeiras.

Renata Del Nero, também moradora do povoado Caeté-Açu, em Palmeiras, estava observando as estrelas quando o meteoro rasgou o céu no sentido leste para o oeste. “O barulho parecia um trovão ou uma bomba, veio alguns minutos após a luz e acho que foi longe porque não foi tão forte quanto o clarão”, contou.

No post do Correio nas redes sociais, alguns seguidores que vivem na região narraram o fenômeno. “Eu estou emocionada até agora. Nunca tinha visto algo tão bonito assim. Foi um fenômeno espetacular”, escreveu uma moradora de Seabra, cidade na região da Chapada. Outra internauta, que mora no Vale do Capão, comentou: “Também vi e estou altamente impactada. Eu vi o meteoro cair perfeitamente, com cauda e tudo, e depois ouvi o estrondo. Surreal”.  Correio da Bahia