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O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e o presidente do Tribunal de Justiça do estado (TJ-BA), Nilson Castelo Branco, discutiram sobre as investigações da morte de Mãe Bernadete com a ministra Rosa Weber. A líder quilombola e ialorixá foi assassinada há pouco mais de uma semana, dentro da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.

A informação foi divulgada neste último sábado (26), nas redes sociais de Jerônimo. Segundo o governador, no encontro, ele, Nilson Castelo Branco e Rosa Weber compartilharam esforços das instâncias para a garantia de direitos das comunidades quilombolas.

Jerônimo Rodrigues afirmou ainda que pediu apoio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nas investigações do assassinato de Binho, filho de Mãe Bernadete, que aconteceu há sete anos e ainda não foi solucionado.

“É preciso seguir com celeridade nos processos de titulação de terras quilombolas em toda a Bahia e no Brasil. Estou em contato com o presidente Lula, dialogando sobre a necessidade de avançarmos na pauta da regularização fundiária”, afirmou nas redes sociais.

Uma multidão se reuniu Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, na capital baiana, na quinta-feira (24), para acompanhar a missa de sétimo dia da morte de Mãe Bernadete.

Bernadete Pacífico, de 72 anos, era uma liderança quilombola baiana e era gestora da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq). Ela levou mais de 10 disparos na noite de quinta-feira (17), quando estava na casa onde morava, na companhia dos netos.

A família da líder religiosa, que deixou a comunidade quilombola após o crime por medo, também participou da celebração, sob proteção da Polícia Militar, que agora acompanha os parentes de Mãe Bernadete, por determinação do governo estadual.

As polícias Federal e Civil montaram uma força-tarefa e seguem com as investigações do crime, contudo, até o momento não divulgaram nenhum avanço nas apurações, que ocorrem em sigilo. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.

Na quarta-feira (23), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) notificou 44 pessoas que ocuparam terras do Quilombo Pitanga dos Palmares, mas não são quilombolas. Eles têm prazo de 90 dias para contestar a decisão.

Em 2017, o local foi reconhecido no relatório técnico de identificação e delimitação do Incra, mas o processo de titulação ainda não finalizou, nem tem prazo para ser concluído. Lá vivem mais de 800 famílias remanescentes de quilombolas, que sobrevivem da agricultura e do artesanato. G1