Comandante do Exército, Tomás Paiva tomou uma decisão sobre comemoração de feito golpista que foi retomada durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). A ordem do Dia alusiva ao 31 de março, aniversário do golpe militar brasileiro, não será lida neste ano. A decisão de não divulgar uma mensagem pela data, segundo fontes da caserna, se deve a uma interpretação do comandante de que “o normal era não existir”.

Escolhido para substituir o general Júlio César Arruda, demitido pelo presidente Lula depois de 20 dias no cargo, o novo comandante tem dito aos seus subordinados que o momento é de “retomada da confiança” e busca de pacificação. A decisão, portanto, seria um aceno ao governo do petista.

Nos bastidores, o comandante fez chegar ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que não haveria resistência na cúpula do Exército a respeito das investigações de militares envolvidos nos atos golpistas do dia 8 de janeiro.

Após o fim da ditadura (1964-1985), a mensagem continuou a ser lida em quartéis e divulgada à sociedade. Em 1995, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a Ordem do Dia deixou de ser lida.

Nos primeiros governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2010), nos arquivos do Exército, de acordo com o Centro de Comunicação Social, só foram localizadas Ordens do Dia publicadas em 2004, 2005 e 2006. Nos outros anos, não houve essa divulgação.

Também não houve a leitura da mensagem no período da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que tinha uma relação conturbada com os militares, já que como militante na época da ditadura, ela sofreu com torturas. Mesmo sob o ex-presidente Michel Temer (MDB), que tinha uma boa relação com a caserna, não há registros de leitura da Ordem do Dia.