Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Parlamentares dos blocos informais na Assembleia Legislativa e a chamada bancada do deputado federal Elmar Nascimento (União) na Casa se articulam nos bastidores para tentar emplacar uma candidatura própria ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). O grupo é formado por 22 deputados, ou seja, possui mais do que o número mínimo necessário (13) para inscrever um postulante a substituir o conselheiro Fernando Vita, que se aposenta esta semana, na Corte.

A articulação, no entanto, não é fácil, uma vez que o grupo é heterogêneo, envolvendo oposicionistas e governistas – e, neste segundo, aliados antigos e novos. Mas como na questão do TCM pesa muito as relações pessoais e acordos interior na Casa, não é algo visto como impossível. Até porque está decidido que o substituto de Vita será um parlamentar do Legislativo estadual.

A bancada de Elmar é formada por seis parlamentares: Marcinho Oliveira (União), Robinho (União), Manuel Rocha (União), Júnior Nascimento (União), Pancadinha (Solidariedade) e Penalva (PDT). Desses, apenas Marcinho não declarou apoio à candidatura ao TCM do ex-deputado Marcelo Nilo (Republicanos) em reunião ocorrida no último dia 12 na bancada de oposição, liderada por Alan Sanches (União).

Mas o que vale de fato é a assinatura dos apoiadores quando as inscrições forem oficialmente abertas pela Secretaria da Mesa Diretora, o que ainda não aconteceu. Marcinho já sinalizou publicamente a resistência a Nilo e deixou claro que não tem compromisso com nenhum postulante até aqui. Essa articulação entre a bancada de Elmar e os blocos informais, inclusive, passaria pelo crivo do próprio deputado federal para avançar.

Do outro lado, há o bloco informal chamado de G8, formado pelos deputados Luciano Araújo (Solidariedade), Vitor Azevedo (PL), Raimundinho da JR (PL), Nelson Leal (PP), Felipe Duarte (PP), Patrick Lopes (Avante), Laerte de Vando (Podemos) e o sumido Binho Galinha (Patriota), acusado pelo Ministério Público da Bahia e pela Polícia Federal de comandar uma milícia em Feira de Santana.

Já o segundo bloco infromal, apelidado de G+, é composto pelos deputados Niltinho (PP), Hassan (PP), Eduardo Salles (PP), Antonio Henrique Júnior (PP), Fabíola Mansur (PSB), Soane Galvão (PSB), Matheus Ferreira (MDB) e Rogério Andrade (MDB).

Entre os nomes já cogitados na disputa ao TCM que integram esses três grupos estão Rogério Andrade, que foi cotado pelo próprio líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), e Luciano Araújo (Solidariedade). Para tentar evitar uma articulação contrária do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que trabalha para que a base aliada tenha apenas um candidato ao tribunal, o postulante desses três grupos, caso a articulação tenha sucesso, será um governista.

Para vencer, o candidato ao TCM precisa de no mínimo 32 votos dos 63 parlamentares da Assembleia. A votação, que deve acontecer entre fevereiro e março de 2024, é secreta. Política Livre