(Marina Silva/CORREIO)

No mês de abril, foram mapeados 121 tiroteios que resultaram na morte de 94 pessoas e deixaram 23 pessoas feridas em toda Salvador e Região Metropolitana. Do total de tiroteios registrados pelo Instituto Fogo Cruzado, 48 deles ocorreram durante ações e operações policiais.

Das 117 vítimas de arma de fogo, 47 atingidas durante ações e operações policiais (36 morreram e 11 ficaram feridas); 15 baleadas por tentativas de roubo (nove morreram e seis ficaram feridas); 14 pessoas baleadas dentro de residências (12 morreram e duas ficaram feridas); 13 foram atingidas em meio a disputas (nove morreram e quatro ficaram feridas); seis pessoas foram atingidas em eventos (quatro foram mortas e duas feridas) e três pessoas foram mortas em bares.

Tiroteios em vias públicas e próximos a locais de grande circulação de pessoas ganharam notoriedade durante o mês de abril. Nesse período, foram registradas trocas de tiros próximo de shoppings centers em Salvador e RMS, motivadas por tentativa de extorsão, tentativa de roubo de veículo e perseguição.

Duas mulheres e um homem foram baleados durante uma perseguição policial que deixou o trânsito completamente travado na Avenida Paralela, em Salvador, na noite do dia 12/04. No dia 20 de abril, houve uma troca de tiros durante um sequestro de duas mulheres abordadas na saída de um shopping em Lauro de Freitas e levadas para efetuar transações bancárias próximo à Ceasa do município de Simões Filho. Na noite do dia 20/04, uma troca de tiros assustou quem passava em frente ao Salvador Shopping, na capital baiana. A ação foi motivada por conta de uma tentativa de roubo de um veículo.

Agentes de segurança também foram vítimas da violência armada. Em abril, três foram mortos e três ficaram feridos – no mês anterior, dois morreram e três foram feridos. Um dos casos que resultou em óbito, aconteceu no dia 15 de abril, quando o policial da Marinha Gabriel Michel Nunes de Almeida, 23, foi baleado por dois rapazes em uma moto no bairro da Fazenda Grande do Retiro. Gabriel estava afastado de suas atividades para tratamento de saúde.

Para Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, os dados ajudam a entender o impacto da violência armada em Salvador. “Estamos falando de uma média de quase quatro tiroteios por dia e quatro pessoas baleadas por dia. A imensa maioria das pessoas atingidas morre. Salvador e os municípios da região metropolitana precisam de um plano de segurança que foque na redução da letalidade e na diminuição dos tiroteios. Os dados deixam isso claro e devem servir de base para o planejamento da política pública”, afirmou.

O mapa da violência armada

● Salvador: 90 tiroteios, 71 mortos e 17 feridos

● Camaçari: 5 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido

● Candeias: 3 tiroteio, 3 mortos e 1 ferido

● Dias D’Avila: 1 tiroteio e 1 morto

● Lauro de Freitas: 8 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos

● Madre de Deus: 4 tiroteios e 5 mortos

● Mata de São João: 4 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido

● Pojuca: 1 tiroteio e 1 morto

● Simões Filho: 3 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido

● Vera Cruz: 2 tiroteios e 1 morto

Entre os bairros mais afetados pela violência armada em Salvador e Região Metropolitana estão:

● Beiru/Tancredo Neves (Salvador): 6 tiroteios e 5 mortos

● Rio Sena (Salvador): 5 tiroteios e 2 mortos

● Fazenda Grande do Retiro(Salvador): 4 tiroteios, 5 mortos e 2 feridos

● Arenoso (Salvador): 3 tiroteios e 4 mortos

● Centro (Lauro de Freitas): 3 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido

● Centro (Madre de Deus): 3 tiroteios e 4 mortos

O perfil da violência armada

● Em abril, 121 tiroteios foram registrados em Salvador e Região Metropolitana, uma queda de 11% em relação ao número de tiroteios do mês anterior (136).

● Do total de tiroteios (121), 48 deles ocorreram durante ações e operações policiais. Em março, o Instituto Fogo Cruzado registrou 136 tiroteios e apontou que 45 deles ocorreram em ações e operações policiais. De lá pra cá, houve um aumento de 7% nos registro de tiroteios durante ações e operações policiais.

● 117 pessoas foram baleadas, entre as vítimas, 94 mortos e 23 feridos, uma queda de 16% em relação ao total de baleados do mês anterior. Em março, 140 pessoas foram baleadas: 110 pessoas mortas e 30 feridas.

● Entre os 94 mortos, 75 eram homens, 15 eram mulheres e quatro não tiveram o gênero revelado. Entre os 23 feridos, 19 eram homens e quatro eram mulheres. Das vítimas de arma de fogo em março, 122 eram homens (100 mortos e 22 feridos) e 16 eram mulheres (dez foram mortas e seis feridas).

● Uma criança foi ferida e 113 adultos foram baleados: 91 morreram e 22 ficaram feridos. Dois idosos foram mortos e não foi possível identificar a faixa etária de uma pessoa morta. No mês anterior, cinco crianças foram feridas por arma de fogo, três adolescentes foram mortos e dois feridos. Três idosos foram mortos e dois ficaram feridos. Dos 125 adultos baleados, 104 morreram e 21 ficaram feridos.

● 33 pessoas negras foram baleadas, três brancas, e do total de atingidos (117), 81 não tiveram recorte racial identificado. Em março, 40 pessoas negras foram baleadas, oito brancas, e das 140 vítimas, 92 não tiveram recorte racial identificado.

● Em abril, seis agentes de segurança foram baleados: três morreram e três ficaram feridos. Um ex-detento foi morto e outro ficou ferido. Dois mototaxistas e um rifeiro foram mortos. No mês anterior, três mototaxistas e um rifeiro foram mortos. Dois agentes de segurança foram mortos e 3 ficaram feridos, um ex-detento foi morto e outro ficou ferido.

● Duas pessoas foram feridas por bala perdida, uma delas durante ação policial. Em março foram registradas 10 vítimas de bala perdida, onde três pessoas foram mortas e sete ficaram feridas.

● Três chacinas foram registradas em Salvador e Região Metropolitana que resultaram na morte de 11 pessoas.

● Nove tiroteios ocorreram em meio a disputas: nove pessoas foram mortas e quatro ficaram feridas. No mês anterior, foram registrados 14 tiroteios em meio a disputas: seis pessoas foram mortas e 11 ficaram feridas.

Sobre o Fogo Cruzado

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz 40 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e de Salvador.

Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto. Acompanhe o Fogo Cruzado nas redes: Twitter, Facebook e Instagram. Ou baixe o aplicativo para Android ou iOS. Correio da Bahia