Foto: Alan Santos/PR

O nítido avanço das investigações sobre a tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2022, em especial na última sexta-feira (15), com a divulgação dos depoimentos dos ex-comandantes da Marinha e do Exército, causou a uma espécie de reação em cadeia na política, no Judiciário e no PL.

No Judiciário, mesmo os mais céticos atestam que a situação jurídica de Bolsonaro é débil, que os fatos são graves e que será muito difícil evitar uma denúncia da Procuradoria-Geral da República. A única dúvida que ainda permanece é quando. Qual será o timing?

Essa certeza de que, juridicamente, a situação não passará em branco teve como consequência um aumento dos contatos entre integrantes da cúpula do PL e integrantes do Supremo. É uma tentativa refazer as pontes que Bolsonaro implodiu durante seu mandato.

Valdemar da Costa Neto, por exemplo, foi recebido por um ministro da corte. Ele usou a conversa para tecer comentários a respeito da investigação e para se queixar da proibição de falar com Bolsonaro — já que ambos são investigados no caso.

O impacto prático da conversa é zero. “Não há o que fazer” relatou o ministro a aliados. Mas mostra que o PL tenta, de alguma forma, voltar a ter algum diálogo com o STF.

A proibição de falar com Bolsonaro preocupa Valdemar porque o ano é de eleição e ele quer usar o ex-presidente para fazer prefeitos Brasil afora. “Bolsonaro é melhor cabo eleitoral do que candidato”, repetem cardeais do centrão.

Já para Bolsonaro, o road show dá oportunidade para oferecer aos seus militantes mais fieis um discurso que amenize as cores da já explícita tentativa de golpe. O ex-presidente, que antes dizia jamais ter visto a minuta do golpe, agora diz que, sim, debateu temas relacionados a ela –e que ele não vê crime nisso.

A minuta, segundo as investigações e os ex-comandantes das armas, previa fechar a Justiça Eleitoral, prender Alexandre de Moraes, instalar um estado de exceção no país com o uso das Forças Armadas. G1