Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

O ex-deputado federal Irmão Lázaro está prestes a conseguir uma proeza em público – nos bastidores, ela já acontece. O cantor é citado como potencial candidato a vice em duas chapas situadas em posições políticas completamente distintas na Bahia. De um lado, a eventual aproximação do PL, partido dele, com o grupo de Bruno Reis. Do outro, o esforço de parte do PL de se manter na base do governador Rui Costa e as conversas de Lázaro com Niltinho, do Progressistas, um dos membros do agrupamento formado por PSD e Podemos, alternativa de centro-direita dos aliados do petismo na Bahia.

Lázaro não tem potencial de votos desprezível. Apesar de ter ficado longe da eleição para o Senado em 2018, é um nome extremamente conhecido e reúne duas características que podem ser facilmente exploradas eleitoralmente: é negro e tem origem humilde. Com o plus de ter dado a volta por cima na “vida profana” da música e ter se tornado ídolo cristão. Na condição de vice, o cantor teria muito mais a agregar do que a prejudicar a chapa que eventualmente o escolha. Por isso, não nos espantemos se ele conseguir ser viabilizado para o posto, seja aliado de ACM Neto, como aconteceu na última eleição, seja como aliado de Rui Costa.

O namoro com Bruno Reis, no entanto, perdeu força diante do leilão de passes protagonizado pelo PL desde 2016, quando começaram os flertes com o grupo de ACM Neto. À época, Jonga Bacelar e José Rocha entraram em rota de colisão e situação acabou apaziguada tempos depois. Dois anos depois, o episódio voltou a se repetir e Rui Costa levou a melhor, especialmente diante da baixa viabilidade da candidatura de José Ronaldo ao governo contra a reeleição do governador. O que não impediu que a “imagem” do então PR ficasse arranhada diante da lógica do “quem dá mais”. Como os caciques – leia-se especialmente José Carlos Araújo – estão bem preocupados com as concessões a receber, o PL não é o auge da confiabilidade, concordam?

Já a chance de uma aproximação com a centro-direita da base de Rui não é tão fora da casinha. A chapa que tende a ser liderada por Angelo Coronel, do PSD, precisa de uma penetração popularesca, algo que Irmão Lázaro conseguiria com bem menos esforço que os demais possíveis nomes. Não que Bacelar não conseguisse, apenas tem um telhado de vidro mais amplo que o de Lázaro, o que pode inviabilizá-lo eleitoralmente no longo prazo. É uma questão de saber qual a aposta vale mais, um nome como o cantor ou um político mais tradicional. O cenário ainda é bem indefinido, mas não parece ser tão fora de realidade.

É possível até que, mesmo que troque o domicílio eleitoral para Salvador, Lázaro fique a ver navios no processo eleitoral de 2020. Mesmo sendo uma possível opção para espectros políticos tão distintos, pode ser que os arranjos partidários não comportem que o ex-deputado cantor consiga o espaço almejado como candidato a vice – algo que, convenhamos, já não é lá muito comum entre os sonhos políticos atuais. Se bem que, ultimamente, ser vice está longe de ser integralmente decorativo. Vide Michel Temer que chegou a presidente, Hamilton Mourão que vive a assombrar Jair Bolsonaro ou até Bruno Reis, que se potencializou muito e pode ser prefeito de Salvador a partir de 2021. Por Fernando Duarte