A Polícia Federal afirmou hoje (9), que as investigações da Operação Capitu, deflagrada em cinco estados, deixaram claro que o empresário Joesley Batista, um dos sócios do Grupo J&F, dono da JBS, “mentiu e ocultou fatos” na delação premiada que firmou no âmbito da Operação Lava Jato. Para um dos delegados responsáveis pela apuração, o objetivo de Joesley era “tirar” a PF “da linha de investigação correta”.

 

Ele está entre os presos na ação. “A PF descobriu omissões intencionais e contradições graves que colocam em cheque a credibilidade da delação. Isso caracterizou obstrução de Justiça e prejuízo à instrução criminal do inquérito. Mentiram e omitiram sobre pontos. Há indícios fortes disso”, disse o delegado da Polícia Federal em Minas Gerais Mario Veloso.

Segundo Veloso, a delação pretendia “tirar a PF da linha de investigação correta, levando ao interesse desses colaboradores, colocando em risco a própria credibilidade da PF, responsável pela investigação, do MP e da própria Justiça”. O delegado afirmou que quando as conclusões das investigações foram confrontadas com delações, houve quatro oportunidades para que os colaboradores fornecessem informações, o que não ocorreu.

 

“Isso prejudica a legitimidade dessa colaboração, embora muitas das provas apresentadas e declarações dos colaboradores sejam válidas, independente dessa colaboração ser invalidada futuramente ou não”, afirmou Veloso. Conforme lembrou o delegado, a colaboração de Joesley foi rescindida unilateralmente pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e aguarda posicionamento final do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Desdobramento da Lava Jato, a Operação Capitu se baseia nas revelações da delação premiada do doleiro e lobista Lúcio Bolonha Funaro a respeito de um esquema de pagamento de propina a representantes do Ministério da Agricultura pela JBS, entre 2014 e 2015. Entre os presos estão o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade, e o deputado federal eleito Neri Geller (PP-MT), que foram ministros da pasta no governo Dilma Rousseff (PT).

 

Ao todo foram emitidos 19 mandados de prisão. Do total, três não foram cumpridos até o momento. Antônio Andrade foi preso em Vazante, Região Noroeste de Minas Gerais. Há ainda advogados e empresários entre os alvos dos mandados. Pelo menos um sócio de uma rede de supermercados supostamente ligada ao esquema é considerado foragido, mas negocia sua entrega à PF. O empresário está no Uruguai.