Uma grande quantidade de lama tem aparecido misteriosamente nos últimos meses nas praias de Nova Viçosa, cidade turística do extremo sul da Bahia. O problema, cuja causa ainda não foi determinada, tem afetado a economia local, que é baseada na pesca e no turismo. Para os moradores da cidade, a lama, que fica dentro do mar, é resultado da dragagem do Canal do Tomba, em Caravelas, feita pela empresa Fibria.

 

A prefeitura criou uma comissão para apurar o caso. A dragagem é um processo feito há 14 anos, de novembro a março, para facilitar a circulação da barcaça, um navio de fundo plano construído principalmente para o transporte de mercadorias pesadas, que escoa a produção de eucalipto da região para o Espírito Santo segundo informações do G1.

 

“Não é uma lama normal, isso não é da natureza. Está vindo de empresas na nossa praia. Cinquenta por cento da nossa cidade vive da pesca e outros 50 % do turismo”, pontou Antunes Monteiro, líder comunitário local. Segundo a bióloga Carla Duarte, a lama afeta o ecosistema do local. “Os microorganismos que estão ali são soterrados pela lama. Não é uma coisa comum, cotidiana, então a gente já vai calculando esses impactos”, disse a bióloga.

 

Os empresários da cidade contam que já sentem o reflexo do problema. “Esse período, no ano passado, tomando como referência o réveillon, eu já tinha vendido 12 apartamentos. Este ano, estamos com três só”, contou Cristiano Martins, dono de uma pousada. Em nota, a empresa Fibria disse que a dragagem no canal do tomba, em Caravelas, não tem relação com as lamas da praia de Nova Viçosa.

 

A empresa ainda informou que monitora sempre a água do mar, e que o problema pode ser causado por mudanças climáticas. A Secretaria Municipal de Nova Viçosa informou que uma comissão foi formada com a empresa Fibira, com a prefeitura, Câmara de Vereadores e comunidades, para achar uma solução para o problema.