Foto: Alberto Coutinho/GOVBA

O Departamento de Polícia Técnica (DPT) descartou violência sexual como a causa da morte de Lara Heloísa Pena da Conceição, de 2 meses. A bebê deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do município de Vera Cruz, na tarde de terça-feira, 02, após passar mal em um imóvel onde estava com os pais na Ilha de Itaparica.

De acordo com o laudo preliminar feito pelo médico responsável pelo atendimento, a criança apresentava sinais de violência nas partes íntimas. Com a suspeita, a Polícia Militar foi acionada e os pais da criança foram conduzidos para a delegacia, prestaram depoimento e foram liberados.

O caso ganhou uma reviravolta após o laudo da Polícia Técnica não identificar estupro como a causa da morte da bebê. “Durante apurações do fato, a perícia médica legal realizada pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) não identificou nenhum tipo de violência sexual praticada contra a criança, não sustentando informações iniciais do relatório médico da unidade de saúde, onde a bebê foi atendida”, diz a nota oficial da Polícia Civil.

Ainda de acordo com a polícia, a delegada “ouviu os familiares da menina, instaurou inquérito regular, segue com mais coleta de depoimentos e outras diligências investigativas para esclarecer as circunstâncias da morte da criança, cuja investigação será complementada também pelos laudos periciais”.

Para o Portal A Tarde, a advogada da família, Laline Souza, informou que após a divulgação do caso, a família vem recebendo ameaças de morte. “Os pais vem sofrendo muito. Perderam a bebê de forma ainda mal esclarecida, foram acusados por um médico de violência sexual, isso logo após receber a notícia da morte da filha, foram abordados pela Polícia Militar e conduzidos para prestar depoimento numa delegacia. Eles estão recebendo ameaças, estão sem sair de casa e como medo, tudo por uma acusação leviana”.

O corpo de Lara Heloísa Pena da Conceição já foi liberado do DPT de Vera Cruz, mas os pais ainda não se sentem seguros para realizar o sepultamento. “Eles são moradores de Salvador e no bairro onde residem as pessoas conhecem eles e estão dando apoio, mas, após as mensagens que estão recebendo, eles não se sentem seguros para realizar o enterro. Não há previsão de quando será feito o velório e sepultamento”, explica a advogada.

Por meio de nota, a Prefeitura de Vera Cruz negou que o médico tenha acusado os pais da criança de abuso. Ainda de acordo com a nota, Lara Heloísa já deu entrada na unidade de saúde sem vida. “A Prefeitura de Vera Cruz esclarece que, em nenhum momento, houve divulgação de laudo sobre as possíveis causas da morte de uma bebê, em Vera Cruz, que chegou morta à Unidade de Pronto Atendimento de Mar Grande. O médico que prestou o atendimento todos os protocolos estabelecidos e informou, apenas ao DPT, as condições em que a criança se encontrava e as suspeitas em um relatório inicial. A Prefeitura reitera que é papel do DPT e da polícia as investigações de supostos crimes e a elaboração de laudos periciais”.

A defesa da família informou que vai processar o médico pelas acusações. “Não sabemos, ao certo, como o médico chegou a conclusão de violência sexual. Não existe nenhuma evidência que demonstre qualquer tipo violência física ou sexual contra a bebê. Ele assinou o laudo afirmando que ocorreu o abuso, algo que está comprovado pelo DPT que não aconteceu”, finaliza Laline. A família ainda não sabe o que provocou a morte da bebê. O laudo final deverá ser divulgado e anexado ao processo no prazo de 10 dias. A Tarde