Foto: Andressa Gonçalves/GloboNews

O Datafolha estima que 15,5 milhões de brasileiros pertençam a comunidade LGBTQIA+ no Brasil, o equivalente a 7% da população. Mas de acordo um levantamento feito em quase 300 empresas, com 1,5 milhão de trabalhadores, essa parcela ocupa apenas 4,5% dos postos de trabalho. Quando se coloca uma lupa sobre as pessoas trans, a situação é ainda pior: não chega nem a 0,5% (0,38%).

O artigo 23 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que toda pessoa tem direito ao emprego. Mas, na prática, o preconceito é uma grande barreira para as pessoas LGBTs. Não há números do mercado de trabalho de pessoas LGBTs. Assim como acontece com os casos de violência, são associações e entidades não governamentais que fazem levantamentos em meio a dificuldades de acesso à informação.

Sem números oficiais, fica difícil criar políticas públicas e, assim, a comunidade LGBT, principalmente as pessoas trans, continuam invisíveis. Pela primeira vez duas iniciativas focadas em diversidade se uniram. O Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ reúne cerca de 200 empresas que assinaram uma carta de compromissos focada principalmente em empregabilidade LGBT.

A plataforma To.gather trabalha com dados para acelerar a diversidade nas empresas. Cinquenta e uma empresas do fórum participaram de um levantamento exclusivo a pedido da GloboNews. Dessas, 61% empregam pessoas trans, atualmente. Cerca de 16% disseram que há pessoas trans em posições de liderança. Mas na maioria delas, as vagas ocupadas por pessoas trans representam menos de 1% do quadro de funcionários.

“Eu uso uma expressão muito forte, porque parece um ‘terreno baldio’. Às vezes você vai olhar e fala assim, cadê os benefícios para pessoas LGBTI+ específicos? O que as pessoas LGBTI+ precisam? Você precisa fazer a primeira pesquisa, o primeiro levantamento”, disse Reinaldo Bulgarelli, secretário-executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. Em outro cenário ainda maior, e também exclusivo, a To.gather reuniu quase 300 empresas em 17 estados do país. Em um universo de cerca de 1,5 milhão de trabalhadores, apenas 4,5% são pessoas LGBTQIA+. O número de trabalhadores trans não chega a 0,5% (0,38%). G1