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Mais da metade dos brasileiros que estão atualmente empregados planeja mudar de trabalho ainda este ano. A executiva Sheila Borges passou pela diretoria de duas empresas em menos de um ano. Já Rosana dos Santos Oliveira faz bicos de garçonete no fim de semana e busca emprego no horário comercial. Dois currículos em linha com o que há de mais atual no mercado de trabalho: um profissional em transição

“Na verdade, a estabilidade é um negócio que não existe mais. Eu costumo brincar dizendo o seguinte: ‘estamos todos em transição’. Só que uns momentaneamente estão recebendo salário. Mas tá todo mundo em transição. A gente teve o efeito da pandemia, e as pessoas começaram a ter mais contato com a família e começaram a repensar de como seria essa relação do trabalho e o que conta”, diz a líder do ICEO Brasil Irene Azevedo.

É o que confirma a pesquisa de uma plataforma global, com 23 mil profissionais – 1,3 mil no Brasil. Seis em dez brasileiros pretendem mudar de emprego este ano. E dois em dez já procuram uma nova posição. A tradição de um plano de carreira sólido em uma única empresa perde para o sonho de empreender, o trabalho remoto, a oportunidade de crescer e, principalmente, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e salário.

As consultorias de RH dizem que desde a pandemia a relação dos profissionais com o trabalho nunca mais foi a mesma. Além disso, as empresas se adaptam ao cenário ainda muito incerto da economia global, o que mexe com quadro de funcionários. Tudo isso cria um mercado de trabalho mais dinâmico, que tem oportunidades. Mas em um país tão desigual como o Brasil as chances não são as mesmas para todo mundo.

Sheila Borges tem um plano: “O mais importante é a oportunidade de me conhecer mais, de conhecer quais são os meus valores, de conhecer quais são as minhas competências… O que eu não abro mão? O meu trabalho, a minha família, a minha saúde e equilibrar tudo isso aqui é o ponto”, diz ela. No salão do bar onde faz bicos, sem contatos na área, a garçonete Rosana dos Santos Oliveiranão tem uma estratégia clara para conseguir o que quer: a vaga no mundo corporativo.

“Sem faculdade fica difícil. Para gente sair daqui, eu teria que ter um emprego de carteira assinada para poder dar início para eu concluir o meu curso… Nada é impossível, mas por enquanto eu estou trabalhando fazendo bico. Não tendo serviço com carteira registrada, fica mais difícil… Mas brasileiro é assim, a gente não pode desistir, né? ”, conta a garçonete Rosana dos Santos. G1