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Pelo menos sete jovens e quatro adolescentes entre 15 e 29 anos foram vítimas de homicídio na Bahia na última semana de março. As mortes violentas ocorreram tanto em Salvador quanto no interior do estado, como mostram os registros feitos pelo g1.

Os casos noticiados pelo portal incluem uma chacina no município de Barro Preto, no sul baiano, um triplo homicídio de mulheres em Feira de Santana, a cerca de 100 km da capital, e o assassinato de um adolescente em Salvador.

Em alguns dos casos, a Polícia Civil indica a relação dos crimes com o tráfico de drogas e facções criminosas. No entanto, esses homicídios ainda não foram esclarecidos. Esse cenário expõe a violência a que os jovens estão expostos e, em muitos casos, imersos no território baiano.

Para o professor de Processo Penal da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Misael França, para entender esse contexto é preciso levar em consideração dados recentes de entidades como o Instituto Fogo Cruzado e o Fórum de Segurança Pública, por exemplo. Tratam-se de fontes que consideram a Bahia hoje um dos estados mais violentos do país.

“Então, essa violência tem um rosto, um corpo específico e, lamentavelmente, tem sido a juventude negra periférica do sexo masculino”, pontua o especialista, coordenador e professor permanente do Mestrado Profissional em Segurança Pública da Ufba, em entrevista ao g1. O especialista contextualiza também a guerra às drogas, que se arrasta há anos, sem combater o tráfico e resultando nas mortes.

“Isso não é do governo atual, no estado da Bahia. Já vem de longa data. (…) Essa política de [combate às] drogas se insere numa lógica de vulnerabilização, de exposição das camadas mais, vamos dizer assim, indefesas da sociedade. E no tráfico, na traficância, na organização criminosa, a lógica de funcionamento dessa forma de criminalidade expõe cada vez mais os vulneráveis”.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) ainda não disponibilizou dados consolidados quanto ao número de homicídios dolosos — quando há intenção de matar — ocorridos no mês de março deste ano. Disponível no site da pasta, o painel estatístico mostra o registro de 374 mortes do tipo em toda a Bahia em janeiro e 343 em fevereiro de 2024.

Quanto ao último mês, os boletins de ocorrências notificadas em Salvador e municípios da Região Metropolitana (RMS) indicam que pelo menos 32 vítimas dos crimes registrados nessas localidades eram jovens ou adolescentes, a maioria do sexo masculino. O número pode ser maior porque muitos registros no site da SSP-BA foram feitos antes da identificação das vítimas. G1