Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia

O mundo gira muito além do futebol. É assim com qualquer jogador, que tem sua vida pessoal e seus momentos difíceis fora de campo. Marcos Felipe, goleiro do Bahia, é um exemplo. O goleiro viveu um drama com a filha na UTI, mas pôde celebrar a permanência do Tricolor na Série A, um ano depois, em um “momento especial” em família, na última quarta-feira, quando o Tricolor goleou o Atlético-MG.

Vou te falar de uma experiência pessoal, que a nossa vida dá muitas voltas. Final do ano passado, praticamente nesta mesma época, a Antonella ela estava internada na UTI com pneumonia. Passou dez dias lá e foi um momento muito difícil para a gente”.

— Marcos Felipe

– Quando nós entramos de férias, eu dobrei os meus joelhos e falei com Deus que eu queria viver coisas diferentes para o ano de 2023. E aconteceu na mesma época, a gente se livrar do rebaixamento. Para mim foi o maior triunfo que eu tive na minha carreira. Essa experiência pessoal, que em um ano vivenciei uma coisa complicada na minha família com a minha própria filha e, no ano seguinte, Deus nos presenteou com a permanência na Série A. Um jogo tão magnífico e um momento tão especial, com minha esposa e nossas filhas. Esse aprendizado de que temos que ter fé independentemente do que estamos vivendo. Temos que acreditar e saber que sozinho a gente não chega a lugar algum. Isso que fica marcado para mim – complementou o goleiro tricolor, em entrevista à TV Bahia.

O goleiro entra em campo em busca de bloquear cada tentativa adversária para a fazer sua família feliz. Afinal, as filhas já aprenderam como motivá-lo antes de cada jogo.

– Desde quando casei com a Roberta, nós sempre estivemos juntos o tempo todo. Independentemente de qual situação fosse, sempre um ajudaria o outro. E com as meninas não é diferente, elas mesmo já falam palavras de incentivo. “Pai, defende bastante!”, “Pai, ajuda o Bahia a ganhar!” E tudo isso influencia, porque é uma coisa bem sentimental. Fica ali marcado, é uma coisa que fica marcada, duas crianças, uma de cinco anos e outra de quatro anos, já falarem coisas mesmo que sem saber o potencial das palavras delas. Eu creio que são palavras verdadeiras e palavras de amor. Fico muito feliz de ter uma esposa maravilhosa como a Roberta e duas filhas também maravilhosas que estão o tempo todo do meu lado. Isso com certeza contribui para as atuações boas que eu tive esse ano, graças a Deus. Fico muito feliz de ter as três ao meu lado.

“Confiança no grupo sempre existiu”

Mas a confirmação do Bahia na Primeira Divisão e o alívio para poder celebrar cercado pela família só aconteceu na última rodada do Campeonato Brasileiro. Apesar das dificuldades, o goleiro garante que o grupo sempre esteve confiante e otimista.

– Nós sabemos que o futebol hoje está muito nivelado, não tem jogo fácil. Não tem algo específico. Nós, em todos os jogos, tentamos de todas as formas tirar o Bahia mais rápido da situação que estava, e em alguns momentos as coisas não saíram do jeito que a gente queria. Mas, como falei, confiança do grupo sempre existiu. Nós nos fechamos e acreditamos até o final que tudo daria certo, e aconteceu.

No geral, o Bahia terminou a temporada com 27 resultados positivos em 67 partidas, além de 16 empates e 24 derrotas. O aproveitamento de 48% foi acompanhado de 93 gols marcados e 85 sofridos.

Na Série A, o desempenho foi inferior (38%), com 12 vitórias, oito empates e 18 derrotas, além de 50 gols marcados e 53 sofridos. No geral e no principal campeonato do ano, há um padrão: o Tricolor esteve mal defensivamente. Marcos Felipe, no entanto, ressalta que o time é formado por um conjunto.

– Eu creio que não especificamente da defesa, é um conjunto. Tanto que, acredito, quando se faz gol na lá frente, a defesa também é exaltada. Ajudou a travar o ataque adversário. A mesma coisa o ataque. Nos ajuda a defender, está todo mundo junto. Ganha todo mundo, perde todo mundo. Não tem culpado de nada. A questão dos gols é que existe um adversário qualificado do outro lado. Então, de todas as formas, tentamos neutralizar. Às vezes a estratégia não funciona e acabamos sofrendo os gols.

A vulnerabilidade defensiva do Bahia só não esteve em maior evidência porque o próprio Marcos Felipe teve atuações decisivas. Ao todo, o goleiro disputou 63 jogos e sofreu 78 bolas nas redes.

Com contrato até 2027, Marcos Felipe não pensa em propostas de outras equipes, apenas em manter o seu trabalho em alto nível para ajudar o Tricolor a conquistar coisas maiores no próximo ano. Ao todo, o Esquadrão disputará quatro competições: Campeonato Baiano, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Brasileirão.

“Não, ainda não. Minha cabeça está 100% no Bahia. Assinei o novo contrato há pouco tempo e quero permanecer o máximo de tempo possível no Bahia”.

– O que deixa de lição é a perseverança, acreditar sempre. Nós formamos um grupo, apesar de ter muitos jovens, mas muitos meninos que têm mente vencedora, muitos meninos que acreditavam que tudo poderia dar certo e é isso que fica para a gente. Esperamos que, ano que vem, possamos deixar o Bahia na parte de cima da tabela e fazer de tudo para brigarmos por coisas grandes. Globoesporte