Um plano para abertura do mercado de gás natural no Brasil pode contribuir para uma redução de 40% no preço da energia no país em cerca de dois anos, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta última segunda-feira (24), ao apresentar resolução do Conselho Nacional de Politica Energética (CNPE) sobre o tema.

“Um choque de energia barata é tudo que todos sonham…, tem muita coisa boa quando se faz uma coisa como essa… Estamos superotimistas que isso vai fazer o Brasil crescer”, disse o ministro Paulo Guedes, acrescentando que monopólios impedem o desenvolvimento.

O movimento, na linha de um outro plano de se quebrar o monopólio da Petrobras na área de refino de petróleo, visa intensificar a desverticalização em toda a cadeia de gás natural, após a petroleira estatal ter já vendido participações majoritárias em gasodutos por bilhões de dólares, como foi o caso da Transportadora Associada de Gás (TAG) e da Nova Transportadora do Sudeste (NTS).

Segundo o ministro, o Brasil já quebrou o monopólio na produção e agora vai quebrar também o da distribuição. “Isso então é que deve reduzir o preço da energia. E os cálculos são esses, eu tinha uns cálculos até um pouquinho mais otimistas. Pode ser que a energia caia cerca de 40% em menos de dois anos até, mas são simulações”, disse o ministro, que anteriormente afirmou que o custo da energia poderia cair 50%.

Segundo ele, se o custo cair 40%, o PIB industrial subiria cerca de 8,5%, se for reduzido em 50%, o produto interno bruto do setor industrial subiria 10,5%. O plano quer criar as condições para o acesso de mais agentes não só aos gasodutos de transporte, mas a todas as infraestruturas essenciais do setor, “proporcionando a abertura do mercado e a promoção da concorrência”.

A fim de viabilizar esse processo, entre as medidas propostas, destaca-se a recomendação do CNPE para que a Petrobras defina o quanto de capacidade necessita utilizar em cada ponto de entrada e zona de saída do sistema de transporte de gás natural, permitindo, assim, o acesso por novos agentes.

A Petrobras possui, por exemplo, participação de 51% na Gaspetro, uma holding que detém participações acionárias em 19 empresas de distribuição de gás natural, das 27 constituídas no país. Reuters