Agência Brasil

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, voltou a defender a decisão da entidade que autoriza a aplicação da vacina da Pfizer em crianças a partir dos 5 anos.

Na abertura de reunião colegiada do órgão na tarde desta sexta-feira (17), sem citar diretamente o presidente da República, Barra Torres rebateu o pedido de Jair Bolsonaro para que os nomes dos envolvidos na autorização sejam divulgados.

“Se formos consultar todas as pessoas que ali contribuíram direta ou indiretamente, essa lista contaria por certo com mais de 1,6 mil nomes porque todas as nossas atividades estão entrelaçadas. Seguramente na letra A meu nome vai estar lá”, disse Barra Torres.

Na noite de quinta-feira (16), horas depois da aprovação, o presidente Bolsonaro pediu que fossem divulgados os nomes dos envolvidos na decisão, mentiu ao dizer que a vacina é experimental e disse que vai analisar se vacinará a filha de 11 anos. Barra Torres lembrou que em outubro e em novembro a entidade já foi alvo de ameaças.

“Não faz muito tempo, fomos ameaçados com morte, uma série de perseguições e de outros atos criminosos. Isso aconteceu no mês de outubro e no início de novembro. O que somou a um trabalho – que já é muito difícil, complexo e desgastante – preocupações completamente desnecessárias”, disse o presidente da agência. Além disso, Barra Torres ainda ressaltou que todas as informações sobre o processo de aprovação da vacina são públicas.

“Na decisão de ontem, estamos todos juntos. Somos legalistas, somos cumpridores daquilo que a lei determina, teremos total tranquilidade em fornecer informações que a nós venham ser solicitadas”, disse o presidente da Anvisa.

“Não é tempo de violência, não é tempo de sentimentos menores”, alertou Barra Torres, apontando que ainda é preciso agir para frear a transmissão do novo coronavírus. O presidente ressaltou que o momento exige foco no uso de máscaras, em evitar aglomerações e no uso das vacinas.