O ‘Sertão Folia’ tradicional micareta do município de Tucano, prevista para acontecer nos próximos dias 23 (sábado) e 24 (domingo), está dando o que falar entre os religiosos da cidade. Nove padres da Forania II da Diocese de Serrinha emitiram, na quinta-feira (14), uma nota de repúdio à realização da festa, além de solicitar à prefeitura o cancelamento ou adiamento dos festejos em razão da celebração cristã da Semana Santa. Se apresentarão na festa artistas como Léo Santana, Igor Kannário, Parangolé, Luiz Caldas e Babado Novo.

De acordo com o padre Valderi Tavares, responsável por encabeçar o movimento dos clérigos, a Semana Santa é a maior das festividades cristãs, que não deve ser comemorada no mesmo período de uma festa pagã em sinal de respeito à religiosidade dos católicos durante o período. “Vai contra o mandamento da lei de Deus uma festa pagã com dinheiro do povo para destruir os jovens, louvar a Jesus Cristos, com jovens se drogando nas ruas”, afirma.

Na nota, os padres reconhecem a laicidade do Estado, mas pedem que o período religioso seja respeitado. “Quando se trata de um evento com tal proporcionalidade, como a ‘micareta’, que atrai em grande parte pessoas de outros municípios, os cristãos católicos da cidade de Tucano ficam à mercê para celebrar a sua fé, pois ruas são fechadas, trios elétricos com sons ensurdecedores estrondam as principais vias da cidade, bem como o próprio ambiente torna-se desfavorável a execução de um culto religioso”, justifica.

A nota inclui representações católicas dos municípios de Araci, Caldas do Jorro, Euclides da Cunha e Quijingue, além de Tucano. Segundo o padre Valderi, evangélicos e espíritas também estão se manifestando contra a realização da festa.

O padre afirma que procurou a prefeitura de Tucano para dialogar sobre a possibilidade de mudar a data da festa para outro final de semana, mas, em suas palavras, o prefeito recusou a solicitação em virtude da contratação das atrações musicais, que já haviam sido convocadas para o ‘Sertão Folia’.

A Secretaria de Comunicação de Tucano confirmou que houve uma reunião com o padre, durante a qual ele expressou suas preocupações e até sugeriu a liberação da igreja do sábado para domingo, para permitir a realização da procissão do Domingo de Ramos e afirma buscar formas de solucionar a questão. “Estamos comprometidos em garantir o diálogo e encontrar soluções que respeitem as tradições religiosas e culturais de nossa cidade, ao mesmo tempo em que promovemos eventos que contribuam para o desenvolvimento e o bem-estar de todos os nossos cidadãos”, diz em nota. Correio da Bahia