Na reunião em que o vice-governador João Leão convocou todo o PP em sua casa, em Lauro de Freitas, na segunda-feira (2) à noite, para anunciar que havia desistido de concorrer ao Senado e colocaria seu filho, o deputado federal Cacá Leão, em seu lugar na chapa de ACM Neto (UB), apenas o deputado federal Cláudio Cajado manifestou descontentamento.

Todos os demais, mas especialmente os deputados federais, concordaram com a troca, estimulados pela ideia de que Leão, como candidato à Câmara dos Deputados, pode se constituir num puxador de votos para a legenda. Guindado recentemente à condição de presidente nacional do PP, Cajado achava que deveria ter sido comunicado antes dos demais.

Também chegou a protestar contra o fato de Leão não ter percebido com antecedência que não aguentaria o tranco da campanha, alegando que a mudança poderia passar uma má impressão sobre a chapa, com o que a maioria discordou. Ainda questionou o fato de o vice-governador ter resolvido colocar Cacá em seu lugar sem ter aberto, primeiro, a discussão com o partido.

Neste ponto, colegas chegaram a questionar o presidente nacional do PP sobre se ele tinha interesse em concorrer ao Senado no lugar de Cacá, mas ele declinou. No encontro, Leão foi, mantendo o estilo que o caracteriza, curto e grosso. Disse que havia percebido que não tinha condições de continuar como candidato porque estava preocupado com a saúde.

O vice-governador chegou ao encontro depois de ter avisado sobre a decisão, primeiro, ao candidato do UB ao governo, ACM Neto, que não fez objeção à troca. A ficha de Leão quanto às dificuldades que teria para continuar na campanha majoritária caiu depois que ele cumpriu, no último final de semana, um périplo por cinco cidades do interior ao lado do ex-prefeito de Salvador.

Em Sento Sé, onde participou de uma manifestação chamada ‘Piseiro’, sob sol intenso, ainda chegou a dançar com Neto e apoiadores, mas passou mal e teve que ser levado para um ambiente com ar-condicionado na casa de um correligionário para se recuperar. Ainda de lá, ligou para Cacá e disse que a decisão estava tomada de colocar o filho em seu lugar.

Cacá disse que concordava com ele, sobretudo para preservar sua saúde, mas que precisava comunicar a decisão aos líderes nacionais do PP Arthur Lira (AL), presidente da Câmara dos Deputados, e o senador Ciro Nogueira (PI), aos quais é intimamente ligado. Dos dois ouviu palavras de incentivo para que concorresse na chapa de Neto. Política Livre