Foto: Reprodução/TV Bahia

Uma multidão se reuniu Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, na capital baiana, na quinta-feira (24). No templo, considerado um dos mais importantes do país, foi celebrada a missa de sétimo dia da morte de Mãe Bernadete, líder quilombola e ialorixá assassinada a tiros dentro da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador.

Bernadete Pacífico, de 72 anos, era uma liderança quilombola baiana e era gestora da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq). Ela levou mais de 10 disparos na noite de quinta-feira (17), quando estava na casa onde morava, na companhia dos netos.

A família da líder religiosa, que deixou a comunidade quilombola após o crime por medo, também participou da celebração, sob proteção da Polícia Militar, que agora acompanha os parentes de Mãe Bernadete, por determinação do governo estadual.

“Minha mãe era uma pessoa religiosa, no momento está com Deus. Que Ele faça a passagem dela, que era uma pessoa boa. Eu sei que ela está com Deus. Está sendo tudo bem difícil, do jeito que foi, como está sendo, muito difícil”, afirmou o filho de Mãe Bernadete, Jurandir Wellington Pacífico.

“Ela deixa um legado bastante positivo de alguém que lutou, lutou pelos seus direitos, lutou por questões contra o preconceito e tantas outras intolerâncias”, disse o pároco da Basílica, Edson Menezes, que celebrou a missa.

Padre Edson acrescentou que Mãe Bernadete era respeitada por todos os líderes religiosos. “Sentimos muito o seu falecimento, o trágico do modo como tudo aconteceu”.

As homenagens à religiosa e líder quilombola começaram no início da manhã. Antes da missa, diversas entidades do movimento negro se reuniram em frente à a igreja para reforçar a luta quilombola e a importância da Mãe Bernadete.

“Ela foi brutalmente assassinada por ser uma mulher preta, quilombola e de terreiro, a gente tá denunciando o genocídio da população negra em todo o Brasil. Hoje é um dia simbólico para o nosso país, porque o povo negro está nas ruas demonstrando que a gente não vai mais tolerar o silenciamento das mortes diárias da população negra”, relatou a coordenadora do Unegro-BA, Samira Soares.

As polícias Federal e Civil montaram uma força-tarefa e seguem com as investigações do crime, contudo, até o momento não divulgaram nenhum avanço nas apurações, que ocorrem em sigilo. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.

Na quarta-feira (23), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) notificou 44 pessoas que ocuparam terras do Quilombo Pitanga dos Palmares, mas não são quilombolas. Eles têm prazo de 90 dias para contestar a decisão.

Em 2017, o local foi reconhecido no relatório técnico de identificação e delimitação do Incra, mas o processo de titulação ainda não finalizou, nem tem prazo para ser concluído. Lá vivem mais de 800 famílias remanescentes de quilombolas, que sobrevivem da agricultura e do artesanato. G1