Foto: Paula Fróes/GOVBA

Os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) Educação, divulgados na sexta-feira (22), mostram que o Brasil retrocedeu em um aspecto importante da escolarização de crianças e jovens: pela primeira vez desde 2016, o índice de alunos de 6 a 14 anos matriculados no ensino fundamental ficou abaixo da meta prevista para o país.

➡️O levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) afirma que, em 2023, 94,6% dos estudantes dessa faixa etária estavam na escola na etapa correta para a idade. O PNE (Plano Nacional de Educação), no entanto, estabelece o objetivo de manter um patamar mínimo de 95% até 2024. Isso significa que, seja por evasão, abandono escolar durante um período ou reprovação, alunos estão:

  • atrasados, ainda na pré-escola (caso de 4,8% do total de brasileiros de 6 a 14 anos);
  • ou fora das instituições de ensino (0,4%).

“Esses números preocupam. Temos agora muito mais crianças que deveriam estar no ensino fundamental e ainda estão na pré-escola. Acreditamos que isso ainda é efeito da pandemia, de crianças que não tiveram educação infantil com as escolas fechadas por dois anos e, quando tudo normalizou, começaram atrasadas a trajetória escolar”, afirma Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação.

➡️Os microdados da Pnad mostram que, em 2019, 11% das crianças de 6 anos (que, pela idade, deveriam estar no ensino fundamental) ainda estudavam na pré-escola. Em 2023, o índice saltou para 29%.

Fechamento das escolas na pandemia levou a maior atraso

De fato, como disse o especialista acima, o “tombo” foi ainda maior após a Covid-19: segundo a Pnad, o índice (chamado de “frequência escolar líquida”) caiu de 97,1% em 2019 para 95,2% em 2022. Em 2020 e 2021, por questões sanitárias, não houve coleta de dados.

Censo Escolar já havia mostrado distorção idade-série

O Censo Escolar 2023, divulgado em fevereiro deste ano, mostrou que:

👨‍🏫Em 2023, no 6º ano do ensino fundamental, 15,8% dos estudantes não tinham a idade adequada (porque foram reprovados, por exemplo, ou porque abandonaram o colégio em algum período).

Na ocasião, especialistas já haviam explicado que esse é mais um fator que pode aumentar o risco de, futuramente, o jovem interromper os estudos.

Jovens sem estudar e sem trabalhar, analfabetismo… veja outros destaques da Pnad

✏️GERAÇÃO ‘NEM-NEM’: Entre os jovens de 15 a 29 anos, 9,6 milhões estavam sem estudar e sem trabalhar. O número equivale a 19,8% da população nessa faixa etária.

✏️ANALFABETISMO: Segundo o IBGE, 9,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais eram analfabetas em 2023 (5,4%). Dessas, 5,1 milhões (54,7%) viviam na região Nordeste.

✏️JOVENS NA ESCOLA: O percentual de pessoas de 25 anos ou mais com o ensino médio completo passou de 29,9% em 2022 para 30,6% em 2023.

✏️O DESAFIO DA CRECHE: Entre as crianças de 0 a 3 anos, a taxa de escolarização foi de 38,7%. Houve um crescimento de 2,7 pontos percentuais se comparado com 2022, quando 36% das crianças da faixa etária estavam na creche. Embora essa etapa escolar não seja obrigatória, a meta do PNE é chegar a 50% até 2024. G1