Agência Brasil

O ministro da Justiça e Segurança Pública,Flávio Dino, disse que “há personagens ocultos, que ainda vão aparecer”, no caso envolvendo o mapeamento feito a pedido do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, a respeito das regiões onde Lula (PT) ganhou no primeiro turno.

Próximo ao 2º turno, Torres solicitou à delegada Marília Ferreira Alencar – que atuava no Ministério da Justiça – para fazer um levantamento de quais foram os locais onde Lula conseguiu a maioria dos votos no primeiro turno. Diante desse estudo, o ex-ministro pediu apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para coibir eventuais crimes eleitorais no dia da eleição.

Segundo o G1, a PRF – considerada a mais bolsonarista dos órgãos policiais – passou a fazer uma série de operações em todo o Brasil para atrapalhar a chegada dos eleitores nas zonas eleitorais. À época, Torres foi escalado por Bolsonaro para colocar o plano de interferência em prática no Nordeste – a região onde Lula tem a maioria dos votos.

Na Bahia, por exemplo, Torres se reuniu com o diretor-geral da PF, Marcio Nunes, para pedir a atuação da PRF. Desde então, a Polícia Federal passou a investigar a viagem do ex-ministro da Justiça Anderson Torres à Bahia, para entender qual foi o real motivo da viagem.

Dino afirmou que aguarda as respostas das investigações, mas que há “múltiplos indícios” de que Torres agiu contra eleitores de Lula. O ex-juiz ressalta também que as suspeitas contra Torres são de “imensa gravidade” e espera consequências jurídicas proporcionais ao possível crime cometido pelo ex-ministro da Justiça. Anderson Torres está preso em Brasília desde 14 de janeiro, e é investigado por suspeita de omissão e conivência com os atos antidemocráticos de 8 de janeiro.