Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por meio da quebra de sigilo do celular do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, a Polícia Federal (PF) descobriu que um segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) integrava um grupo de WhatsApp no qual militares da ativa defendiam pautas golpistas.

De acordo com informações do blog de Andreia Sadi, no G1, o tenente-coronel Luis Cruz Correira foi demitido após a PF informar o caso ao Palácio do Planalto. Conforme a publicação, o militar é subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e, segundo integrantes do governo, atuava na segurança direta de Lula, tendo participado inclusive de viagens recentes do mandatário.

Segundo o blog, a descoberta do segurança em um grupo onde se discutia ruptura institucional e fazia ameaças ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, escalou ainda mais a “guerra de desconfiança” travada nos bastidores entre a Polícia Federal e o GSI.

Desde 2022, a PF defende para si a atribuição da segurança presidencial. Para evitar desgaste com militares, entretanto, Lula optou por um modelo híbrido comandado pelo GSI.

Conforme o blog, integrantes do Gabinete de Segurança Institucional afirmam que o tenente-coronel não pode ser julgado só por participar do grupo, sem que se saiba se houve a participação ativa dele nas conversas.

Investigadores da PF, entretanto, se dizem incrédulos com a nova descoberta, visto que não é a primeira implicação do GSI com os golpistas. Eles lembram que o gabinete teve integrantes envolvidos nos ataques de 8 de janeiro e o fato de que o ex-ajudante de ordens Mauro Cid continuou recebendo e-mails com informações sensíveis sobre a segurança de Lula, mesmo após o fim do mandato de Jair Bolsonaro (PL).

Segundo a publicação, os policiais federais classificam como “grave e preocupante” a presença de alguém que cuida com a proteção da vida do presidente em um grupo criado para planejar golpe de Estado.

Além disso, chegou ao conhecimento da PF ainda que Correio recorreu a Mauro Cid para pedir ajuda em uma realocação da Bahia para Brasília, o que, de fato, aconteceu.

Procurado pelo blog o ministro do GSI, general Marcos Antonio Amaro dos Santos, disse desconhecer o relatório da Polícia Federal a respeito da participação do tenente-coronel Luis Cruz Correira no grupo golpista.

“Não conheço. Não tinha [informações sobre o relatório da PF]. Eu acredito que não teria ajuda para ele [Correia] vir para cá [GSI]. Quem define quem vem para cá, de acordo com os critérios de seleção, é o comando do Exército. É o gabinete do comandante do Exército. [O ingresso no GSI] não é por indicação pessoal, não”, disse ele, citando a colaboração entre Mauro Cid e o segurança presidencial.