Agência Brasil

O cerco parece fechar a volta do ministro do Turismo no governo Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio. Segundo informações da Folha de S.Paulo, a Polícia Federal tem indícios de que o gasto eleitoral de candidatas do PSL de Minas Gerais em gráficas não tenha passado de simulação.

A suspeita foi levantada após a primeira operação de busca e apreensão da PF, batizada de Sufrágio Ostentação, ocorrida em abril e que teve como alvo empresas contratadas pelas candidatas suspeitas de serem laranjas do PSL mineiro.

O Ministro do Turismo era presidente da sigla em Minas Gerais até o ano passado e, nessa posição, foi responsável por escolher as candidatas no estado e autorizar a destinação das verbas públicas usadas durante a campanha eleitoral.

Os materiais apreendidos pela PF mostram que os donos das gráficas, que teriam prestado serviço para as candidatas durante a campanha no ano passado, não apresentaram provas dos trabalhos.

“Em uma delas, por exemplo, a PF encontrou ordens de serviço relativas a 2012, mas nenhum sinal dos supostos trabalho prestado em 2018 para o PSL”, escrevem os repórteres Camila Mattoso e Ranier Bragon, que assinam a matéria na Folha de S.Paulo.

O jornal revelou o esquema em fevereiro, o que levou ao início da apuração do caso pelo Ministério Público. As gráficas em questão são ligadas a assessores e ex-assessores do ministro do Turismo.

Por conta disso, ontem (27), a PF cumpriu novos mandados de busca e apreensão, dessa vez, junto com o pedido de prisão temporária do assessor especial do Ministro do Turismo, Matheus Von Rondon, e seus ex-assessores Roberto Silva Soares, conhecido como Robertinho Soares, e Haissander Souza de Paula.

Na ocasião da primeira busca e apreensão, em abril, o delegado responsável pela operação, Marinho Rezende, chegou a afirmar que encontraram indícios concretos de que as candidatas investigadas mentiram na prestação de contas apresentadas à Justiça, em relação ao contrato que fizeram com as gráficas.

As reportagens da Folha desde fevereiro mostram que o PSL de Minas repassou R$ 279 mil para quatro candidatas que tiveram desempenho pífio nas eleições passadas. Juntas, elas receberam pouco mais de 2 mil votos, indicando que a candidatura foi de fachada, ou seja, não houve empenho efetivo para vencer o pleito, simulando apenas alguns atos reais de campanha.

Do valor total que essas quatro campanhas receberam, pelo menos R$ 85 mil foram parar oficialmente na conta de quatro empresas de assessores, parentes ou sócios de assessores do ministro Álvaro Antônio.

Há indícios da prática de candidaturas de fachada tanto do PSL mineiro quanto de Pernambuco. A repercussão do escândalo, levou à queda do ex-presidente do PSL Nacional, Gustavo Bebianno, do comando da Secretaria-Geral da Presidência, ainda em fevereiro.