A Polícia Federal (PF) em Belo Horizonte pediu à Advocacia-Geral da União (AGU) que proponha um recurso à decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) de suspender as investigações contra o advogado de Adélio Bispo. Zanone Manuel de Oliveira Júnior é responsável pela defesa do autor confesso da facada no presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha eleitoral do ano passado, em Juiz de Fora.

A AGU informou que foi intimada no processo e “poderá a vir apresentar manifestação, no prazo legal, a depender dos subsídios do órgão interessado”. De acordo com a PF, “os materiais apreendidos com o advogado, notadamente o telefone celular, poderão revelar se realmente houve um terceiro que contratou os serviços advocatícios e qual seria o seu interesse”.

No dia 28 de fevereiro, o desembargador do TRF-1 Néviton Guedes mandou suspender apurações sobre a suposta participação do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior no atentado a Bolsonaro, que tem Adélio Bispo como responsável confesso. O pedido da PF é para que essa suspensão seja revista e a investigação continue.

Bispo foi indiciado por prática de atentado pessoal por inconformismo político, crime previsto na Lei de Segurança Nacional. O primeiro inquérito da PF concluiu que o agressor agiu sozinho no momento do ataque e que a motivação “foi indubitavelmente política”.

A polícia então abriu um segundo inquérito, para dar continuidade às apurações, visando comprovar “participação de terceiros ou grupos criminosos” no atentado ao político fora do local do crime.

Em dezembro de 2018, sob justificativa de tentar identificar quem estaria financiando a defesa do autor do atentado, a Polícia Federal em Minas Gerais cumpriu dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao advogado. Na ocasião, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) disse que ação da PF em locais ligados a Zanone “viola prerrogativas da advocacia”. Informações do G1