A condenação do ex-presidente Lula pode ter impactado seu potencial de transferir votos para outro candidato, caso ele fique fora da disputa presidencial. A nova pesquisa do Datafolha aponta que o percentual de eleitores que não votariam em um nome apoiado pelo petista subiu de 48%, em novembro, para 53%.

 

O poder da indicação de Lula -apelidado, na política, de “dedaço”- é considerado o grande ativo do PT depois que a sentença Tribunal Regional Federal da 4ª Região reduziu as chances de sua participação na eleição. Para os petistas, o apoio do ex-presidente é a única maneira de impulsionar o possível substituto de Lula caso ele seja declarado inelegível.

 

Por enquanto, a principal alternativa, o ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner (PT), não passa de 2% na pesquisa. A rejeição ao candidato apoiado pelo petista, porém, voltou a superar metade do eleitorado, depois de uma leve recuperação na pesquisa anterior. Em setembro, esse percentual chegara a 55%. Ainda assim, o levantamento mostra que o efeito do apoio do ex-presidente petista na disputa pode ser considerável.

 

Outros 27% dos entrevistados pelo Datafolha dizem que o apoio de Lula influenciaria “com certeza” sua escolha, e 17% afirmam que “talvez” votassem no nome indicado por ele. A influência do petista é comparável à do juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba e responsável pela Operação Lava Jato, que condenou Lula em primeira instância no ano passado.

 

Segundo o Datafolha, 50% dos eleitores não votariam no candidato apoiado pelo magistrado, enquanto 25% seguiriam sua indicação e outros 22% dizem que poderiam votar nesse nome. Outros potenciais padrinhos teriam dificuldade em turbinar as campanhas de seus afilhados. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) teria influência certa sobre 11% dos eleitores e possivelmente sobre outros 22%.

 

Já 64% dos entrevistados rejeitariam a indicação feita pelo tucano, que governou o país entre 1995 e 2002. Nada que se compare, no entanto, à fragilidade do atual presidente na transferência de votos. Michel Temer (MDB) é o cabo eleitoral mais impopular nos cenários apresentados pelo Datafolha: 87% afirmam que não votariam no candidato que tiver seu apoio. Apenas 4% escolheriam esse nome e mais 8% disseram que poderiam seguir a indicação.