A Polícia Civil encerrou as investigações do caso de suspeita de estupro da jovem Maria do Carmo Ribeiro, de 27 anos, no dia 21 de janeiro, em Caraíva, distrito de Porto Seguro, no Extremo-sul baiano. O inquérito foi concluído e encaminhado para o Ministério Público estadual (MP-BA). As qualificações do crime também foram alteradas.

Inicialmente, o índio pataxó Tacio da Conceição Bonfim foi autuado em flagrante por crime de importunação sexual e furto do celular da vítima. Após a investigação, a polícia decidiu que ele agora responderá por crimes de estupro de vulnerável, já que a vítima estava dormindo e sem possibilidade de se defender, e roubo qualificado, já que ele entrou na casa escalando uma escada e levou o celular da jovem.

De acordo com o advogado da vítima, Alex Ornelas, além dos depoimentos colhidos, uma perícia foi realizada na casa de Maria do Carmo nesta segunda-feira (3). “A polícia foi até Caraíva e realizou a perícia na casa dela, para ver a altura que foi escalada, verificar como ele entrou e saiu do imóvel e outros detalhes”, explica.

Tacio foi detido no dia seguinte ao crime e teve prisão preventiva decretada no dia 29 de janeiro, após novo depoimento de Maria do Carmo, de testemunhas e do surgimento de uma segunda vítima.

Com a conclusão do inquérito, o MP-BA denunciou Tacio por estupro de vulnerável e furto qualificado por invadir a residência daa mulher e “praticar atos libidinosos” com a vítima enquanto ela dormia. A denúncia foi oferecida à Justiça pela promotora Michelle Souto, na segunda-feira (3).

O MP acrescentou ainda que, segundo a denúncia, Tácio Bonfim é suspeito de ter cometido abusos contra mais cinco mulheres.

Maria disse se sentir mais tranquila ao ver seu agressor preso. “Recebi amor de amigos, desconhecidos, família, apoio da comunidade e da polícia, que me ouviu novamente e tem me dado suporte. Já estou dormindo melhor também, embora às vezes ainda tenha pesadelos. Me sinto bem mais forte que semana passada”, declarou ela, que uma semana após o crime relatou dificuldade para dormir.

Crime
Segundo Maria, ela dormia em uma casa alugada quando acordou com um homem estranho em cima dela, tocando sua vagina com uma mão e se masturbando com outra. O imóvel onde ela dormia está em reforma e será usado para que ela possa trabalhar com serviços de massoterapia e astrologia. Por isso, o teto do banheiro ainda estava sem telhas.

“Eu e meu companheiro temos uma casinha no centrinho de Caraíva, mas estávamos num imóvel na Aldeia Xandó. Ele (Tacio) aproveitou que o banheiro estava sem telhado e botou uma escada encostada na parede e entrou”, relata. A jovem, que é carioca e se mudou para a Bahia há três anos, tinha voltado de uma festa e dormia quando foi vítima do estupro.

Como voltou da festa sozinha, Maria adormeceu na cama, por volta das 2h30. Ela não sabia que seu companheiro, com quem se relaciona há um ano, estava deitado na sala quando tudo aconteceu.

“Meu companheiro tava dormindo na sala, mas eu não sabia que ele estava em casa. Quando comecei a luta corporal com Tacio, fiquei com medo. Comecei a gritar, aí foi que meu companheiro acordou e eu soube que tinha mais alguém em casa. O suspeito fugiu em seguida”.

Maria narra ainda que percebeu como o agressor entrou no imóvel quando o viu correndo em direção ao banheiro. “Na hora de fugir, ele foi em direção ao banheiro e pegou impulso no vaso sanitário. Daí pulou pelo teto e saiu. Foi quando entendi como ele entrou lá”, completa. Correio da Bahia